Quando pensamos em sustentabilidade, olhamos diretamente para o produto. O consumidor consciente costumeiramente se pergunta: “é ecológico?”, “realmente preciso disso?”, “causa algum dano ao meio ambiente?”. É importante reconhecer que a embalagem deve ser igualmente analisada. Muitas vezes, o impacto dela é maior do que o próprio produto. Não é raro encontrar bens de consumo embrulhados em caixas, revestidas por uma camada plástica, embrulhados em uma sacola e assim por diante.

            O Ministério do Meio Ambiente estima que 1/3 do resíduo doméstico é composto por embalagens, sendo 80% delas descartadas após um único uso. Na Europa, dados[1] indicam que embalagens representam 40% dos plásticos e 50% do papel. E qual a necessidade de tudo isso? Vale recordar que uma embalagem exerce várias funções no comércio atual. A primeira (e talvez mais necessária) é a proteção da mercadoria, evitando danos mecânicos e contaminação externa. Igualmente relevante é a informação que uma embalagem expõe sobre o produto, desde avisos e recomendações, até características e diferenciais. Nesse campo, aparece a função de marketing. Muitas embalagens trazem a promoção e formas propaganda estampadas.

            Diante dessa multifuncionalidade, surge a classificação das embalagens conforme o tipo de uso. As embalagens primárias são aquelas em contato direito com o produto, como as latinhas de refrigerante, por exemplo. Já as consideradas secundárias, se ocupam de abrigar as demais, favorecendo a agrupação e apresentação. As terciárias, por final, são aquelas utilizadas para transporte e armazenamento.

            Considerando esse cenário, como o uso de embalagens pode se tornar mais sustentável? A resposta está na otimização e na escolha de materiais. Usualmente, a produção de embalagens conta com quatro materiais base: plásticos, metais, vidro e celulose-papel/papelão[2]. O impacto de cada um deles no meio ambiente depende do design criado pelo produtor e da ação do consumidor frente ao descarte.

            Uma embalagem com serventia de curto prazo e dificilmente absorvida pelo ecossistema, é inquestionavelmente não sustentável. Considerando que o desafio da economia circular é fechar ciclos materiais, as cadeias de produção precisam se conscientizar das consequências negativas do plástico de uso único, ou descartável. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei n. 12.305/2010, estabelece em seu artigo 32 que “as embalagens devem ser fabricadas com materiais que propiciem a reutilização ou a reciclagem”. Ainda, o inciso primeiro reforça:

§ 1o  Cabe aos respectivos responsáveis assegurar que as embalagens sejam:

I – restritas em volume e peso às dimensões requeridas à proteção do conteúdo e à comercialização do produto;

II – projetadas de forma a serem reutilizadas de maneira tecnicamente viável e compatível com as exigências aplicáveis ao produto que contêm;

III – recicladas, se a reutilização não for possível.

            Para atingir um patamar sustentável e circular, é necessária uma inovação e bom senso na utilização de embalagens por parte de empresas. Essa conscientização já está surgindo e as mais atentas irão certamente se destacar perante o consumidor e o meio ambiente. Conforme dados da retrospectiva de 2019 da ABRE[3], realizado pela FGV, naquele ano os setores de limpeza/perfumaria, fumo, couro/calçados, farmacêuticos e informática tiveram queda no uso de embalagens.

           Ademais do papel importante a ser desempenhado por empresas, o consumidor também representa um pilar significativo. A escolha por produtos que sejam planejados e desenhados de modo a reduzir a necessidade de embalagens é uma atitude primordial. O descarte correto de uma eventual embalagem tem igual importância. O problema do acúmulo de resíduos sólidos no Brasil poderia ser minimizado pela destinação e tratamento mais assertivo dos materiais.

            A embalagem tem a capacidade de ser aliada ao consumo consciente. É um veículo de informações, pode (e deve) trazer uma simbologia adequada de descarte (para o produto e a própria embalagem) e incentivar o reuso e a reciclagem. A quantidade de camadas de embalagem utilizadas pelos bens de consumo, por sua vez, deve sempre ser reduzida e ponderada. Afinal, tudo que abunda, eventualmente prejudica.

[1] Patricia Megale Coelho, Blanca Corona, Roland ten Klooster, Ernst Worrell. Sustainability of reusable packaging – Current situation and trends. Resources, Conservation & Recycling: X (2020).
[2] LANDIM, Ana Paula Miguel et al . Sustentabilidade quanto às embalagens de alimentos no Brasil. Polímeros,  São Carlos ,  v. 26, n. spe, p. 82-92,    2016 .
[3] Disponível em: https://www.abre.org.br/dados-do-setor/ano2019/

Autora

Carol Gusi

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

FECHAR
Converse com a gente no WhatsApp
Comprar