Um estudo global revelou por que os corais “brilham” com as ondas de calor do oceano: para tentar sobreviver.

Uma pesquisa do Laboratório de Recifes de Coral da Universidade de Southampton mostra que, para se protegerem, alguns corais exibem cores deslumbrantes ao sofrer o branqueamento por conta do aquecimento do mar.

Os cientistas da universidade descobriram que as cores brilhantes em corais branqueados servem como uma camada protetora, semelhante a um filtro solar, para quando as microalgas simbióticas são perdidas. Além disso, essas colorações fortes também servem de sinalizador para trazer as algas de volta.

O branqueamento ocorre quando os corais – pequenos animais marinhos que expelem carbonato de cálcio para se protegerem – ficam estressados com o contato com água morna ou poluída. Esse estresse faz com que eles expulsem as zooxantelas, microalgas simbióticas, de dentro de seus tecidos, ficando brancos fantasmagóricos – ou “branqueados”. Este vídeo explica melhor esse processo (em inglês).

As zooxantelas são sua principal fonte de alimento. Se, após expelidas, elas não retornarem rapidamente – ou se as temperaturas ficarem ainda mais quentes –, os corais serão expostos a ainda mais estressores ambientais, o que pode matá-los. Dentro de alguns anos, recifes inteiros podem se decompor e grande parte da biodiversidade que depende de sua estrutura complexa pode ser perdida – uma ameaça aos corais de todo o mundo.

O diretor do Laboratório de Recifes de Coral da Universidade de Southampton, professor Jörg Wiedenmann, explicou que “se as células do coral ainda conseguirem desempenhar pelo menos algumas de suas funções, mesmo com o estresse ambiental que tenha causado seu branqueamento, o aumento dos níveis de luz interna incentivará a produção de pigmentos coloridos e fotoprotetores. A camada de filtro solar resultante favorecerá, então, o retorno das algas simbióticas”.

O surgimento da pigmentação colorida começa de 2 a 3 semanas após a exposição dos corais a estresse térmico leve ou temporário, disse o estudo.

Os recifes de coral, como cidades subaquáticas, sustentam um quarto de toda a vida marinha, abrigando até um milhão de espécies. Além disso, eles promovem segurança alimentar e meios de subsistência a pelo menos meio bilhão de pessoas e protegem as costas dos continentes contra os danos causados por ondas, tempestades e inundações.

Pesquisadores realizaram uma série de experimentos controlados nas instalações dos aquários de coral da Universidade de Southampton.

“Nossa pesquisa mostrou que o branqueamento envolve um mecanismo de autorregulação, uma resposta visual com os dois parceiros da simbiose – coral e alga. Em corais saudáveis, os pigmentos fotossintéticos das algas absorvem grande parte da luz solar. Quando eles as expelem, o excesso de luz passa pelo tecido animal, sendo refletido por seu esqueleto branqueado. Esse aumento de luz interna é muito estressante para as algas simbióticas e pode atrasar ou até mesmo impedir seu retorno mesmo diante de condições normais”, disse Wiedenmann.

No entanto, como explicou a autora do estudo e professora de Biologia Molecular de Corais na Universidade de Southampton, Dra. Cecilia D’Angelo, o branqueamento nem sempre é uma sentença de morte.

“Se o evento estressor for leve, eles podem restabelecer a simbiose com as algas parceiras. Contudo, episódios recentes de branqueamento global causados ​​pelo aquecimento incomum das águas resultaram em alta mortalidade de corais, fazendo com que os recifes do mundo todo lutem para sobreviver”.

Os corais branqueados brilham em cores luminescentes – azul, amarelo e roxo –, fenômeno que desencadeou a Campanha Glowing Gone, do PNUMA com a Ocean Agency e outras organizações de conservação do oceano. Além disso, esse processo foi exibido no documentário “Em Busca dos Corais”, produzido pela Netflix e vencedor do Emmy.

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