Economia circular: como criar um mundo onde o lixo não existe?

A existência de uma economia circular é um tema muito discutido atualmente que pode ser entendido de forma simples. Pense nos resíduos que são descartados diariamente na sua casa e que poderiam ser utilizados como insumos para produção de novos produtos no mercado. Pense também que, na natureza, todos os resíduos orgânicos que jogamos fora servem como adubo para a terra e as diversas árvores ao redor. Pensou?

A Economia Circular

Assim como você pensou, a principal idéia da economia circular é tirar o conceito de “lixo” que temos já formado em nossa cabeça e substituir por uma visão mais contínua e cíclica de produção, na qual os recursos deixam de ser somente explorados e descartados e passam a ser reaproveitados em um novo ciclo.

O principal motivo pelo qual essa idéia tem tudo a ver com sustentabilidade é que ela se inspira no mecanismo dos próprios ecossistemas naturais. Eles geram os recursos a longo prazo num processo contínuo de reaproveitamento e reciclagem. Dessa forma se une o modelo sustentável com a tecnologia e o comércio global.

Economia circular e logística reversa: o que difere?

A ideia da economia circular anda de mãos dadas com o conceito de logística reversa, já que a base da economia circular seria:

● reuso, por parte do próprio consumidor final;
● remanufatura, a reutilização que consiste nas etapas de desmontagem do produto usado, na limpeza de suas peças, na reparação ou substituição de peças danificadas e em testes de qualidade do produto;
● updating, no caso de produtos eletro-eletrônico;
● remontagem (do produto) que deverá apresentar perfeitas condições;
● reciclagem que em nível industrial é o processo de transformar resíduos ou produtos inúteis e descartáveis em novos materiais ou produtos de maior valor, uso ou qualidade.

A logística reversa, que é um conjunto de meios que leva a coleta e a devolução dos resíduos sólidos ao setor empresarial, está ligada às etapas de remanufatura e reciclagem na economia circular. Ambos esses conceitos estão diretamente ligados à responsabilidade que todos têm pelo ciclo de vida de um produto, para que ele seja reaproveitado em seu ciclo produtivo.

Cada setor envolvido no processo de produção tem um dever na logística reversa. São eles: consumidores devolverem produtos inutilizados em locais específicos; comerciantes instalarem locais para a devolução; indústrias retirarem os produtos e reciclá-los ou reutilizá-los; e governo promover conscientização para consumidores e fiscalizar as etapas.

E onde entra a compensação ambiental?

Para que o processo da formação de uma economia circular seja financeiramente viável é importante considerar a necessidade de custos específicos para cada etapa realizada. Há, então, a compensação ambiental que serve para acrescentar no valor final os custos sociais e ambientais da degradação que o empreendimento gera como um todo. Assim como o crédito de carbono. Ou seja, ela é um mecanismo financeiro para contrabalancear impactos ambientais, de suma importância para a realização da economia circular.

É possível notar que a economia circular não depende apenas das empresas e sim de todos os envolvidos no ciclo de vida de um produto, então, atitudes como a rotulagem ecológica de produtos, disseminação de informações sobre questões ambientais na mídia e cursos oferecidos pelas instituições de ensino são importantes para familiarizar a sociedade com a economia circular. Além disso, é necessário melhorar a eficiência no reaproveitamento de resíduos sólidos e na criação de produtos, aperfeiçoando a composição ou formato que possibilite que o material retorne para a cadeia produtiva.

Circular desde a criação

Um dos meios que podem ser utilizados pela economia circular é a metodologia de design C2C/Cradle to Cradle (do berço ao berço). Ela estabelece a criação de produtos, materiais, componentes e processos industriais por sistemas cíclicos aproveitando ao máximo seu valor. Medidas tomadas para minimizar impactos e reduzir danos através da eficiência de processos produtivos não são mais suficientes para lidar com as questões ambientais atuais, visto que a produção ainda extrai recursos, gerando resíduos (mesmo que em menor quantidade). Então, buscaram-se soluções que tornassem a indústria uma força positiva e não apenas menos destrutiva.

Na abordagem Cradle to Cradle, o processo é saudável e circular, ou seja, os resíduos são introduzidos novamente como nutrientes e, segundo este método, é possível que a natureza, economia e sociedade convivam em harmonia.

Um dos principais fundamentos é ter nutrientes como resíduos. Como isso seria possível? Os materiais e suas propriedades devem ser estudados por meio de um inventário que contém suas respectivas informações, sejam elas saudáveis ou não. Assim, as substâncias não tão benéficas seriam substituídas por outras que sejam positivas. Os produtos a serem usados também devem ser passíveis de se tornarem nutritivos para os metabolismos técnicos e biológicos, tendo um retorno seguro e nutritivo à biosfera. Além disso, outro fundamento importante é a utilização da fonte solar no máximo potencial do sistema Cradle to Cradle, já que é uma energia que entra constantemente e considerada renovável.

Sustentável, inclusivo e acessível

Para alcançar uma economia circular, finalmente, deve-se olhar para o contexto, para a necessidade dos usuários e saber trabalhar o potencial de cada situação, otimizando recursos e resultados. É importante manter os processos sempre inclusivos e acessíveis, além de sustentáveis, tornando-os justos para cada parte da cadeia produtiva.

Artigo original: https://blog.eureciclo.com.br/economia-circular-mundo-lixo-nao-existe

Salve o Ralph: a triste realidade dos animais usados em laboratório

O curta-metragem Salve o Ralph está dando o que falar. O filme está enternecendo o coração das pessoas pois trata do sofrimento que os animais passam nos laboratórios, quando usados como cobaias para testes.

O personagem principal é o coelho Ralph, que durante o transcorrer dessa animação é entrevistado para um documentário, contando como é a rotina dele como cobaia de laboratório.

Esse curta-metragem vem sensibilizando e comovendo as pessoas, a ponto mesmo de provocar choro.

A Humane Society International é a responsável por esta produção, que conta com um elenco internacional de estrelas. Entre estas, o ator Taika Waititi, ganhador do Oscar que faz a voz do coelho Ralph.

Na versão brasileira quem dubla o coelho Ralph e o célebre ator Rodrigo Santoro.

Campanha contra os testes em animais

O objetivo desse curta-metragem é promover uma campanha contra os testes em animais #liberdadesemcruldade

Para tal, evidencia a crueldade dessa prática, usando a história de Ralph que na verdade é o que acontece com inúmeros animais nos laboratórios do mundo inteiro.

O diretor da produção, Spencer Susser, deixa claro o objetivo do curta ao dizer:

“É muito importante que Ralph pareça real porque ele representa os incontáveis animais reais que sofrem todos os dias.”

Agora, segue o vídeo Salve o Ralph:

(AVISO: Suscetível de provocar abalo emocional)

https://youtu.be/AjdMtLF0Z6w

Artigo original: https://www.greenme.com.br/informarse/animais/80818-salve-o-ralph-curta-metragem/

Pesquisador lista risco de possíveis danos causados por produtos de limpeza

Produtos de limpeza possuem centenas de substâncias químicas com efeitos tóxicos conhecidos e outros problemas em potencial, segundo o pesquisador Tom Natan, da National Environment Trust, nos Estados Unidos (EUA). O efeito dos compostos químicos presentes nos limpadores se agrava por causa da maneira com que os produtos são empregados durante as faxinas domésticas. Usar limpadores em pequenas quantidades e em ambientes ventilados é um cenário ideal, mas, na prática, muitos produtos são usados na higiene domiciliar, e cada um cumpre uma tarefa específica. Um limpador é usado exclusivamente no espelho, um na privada, um para o piso, um na janela, outro para o ralo e ainda outros para tirar mofos e desengordurar superfícies.

Efeitos em nós e no planeta

O contato com todos esses compostos acumulados é superior ao que os fabricantes desses artigos projetam para a sua utilização, diz Tom Natan, engenheiro químico da organização não lucrativa National Environment Trust. Dentre os perigos dos produtos de limpeza a que estamos sujeitos por causa de uma exposição prolongada estão: danos a funções neurológicas e prejuízos ao sistema respiratório. Além de toxinas carcinogênicas presentes em alguns produtos.

O problema não acaba nas considerações sobre a saúde humana. O meio ambiente também pode ser prejudicado depois que a limpeza escoa pelo ralo. O descarte de fosfato contribui para a eutrofização em massas de água, por exemplo.

Faltam estudos confiáveis e informação geral sobre os níveis de segurança dos compostos químicos nos produtos de limpeza, diz Natan. Também não há dados suficientes para declarar que produtos verdes sejam mais seguros para a nossa saúde.

Uma das ações para mitigar os possíveis danos ao bem estar das pessoas e do lugar em que vivem é excluir substâncias químicas que possuam efeitos nocivos bem conhecidos do processo de fabricação dos agentes de limpeza. Empresas já estão trabalhando para garantir que os ingredientes usados em suas mercadorias não irão colocar os consumidores em risco nem contribuir para problemas ambientais, como o aquecimento global, a deterioração da camada de ozônio ou a poluição marinha e atmosférica.

Limpadores verdes

Produtos que seguem a linha sustentável agridem menos o meio ambiente, custam mais caro e requerem um pouco mais de trabalho para produzirem a mesma aparência de limpeza dos produtos convencionais. Mas a linha verde chega a níveis satisfatórios de higienização, inclusive em testes com as principais marcas do mercado. Sendo que os produtos que utilizam cloro são os únicos limpadores cuja eficácia ainda é muito superior em relação às opções verdes no mercado da limpeza.

Artigo Original

https://www.ecycle.com.br/component/content/article/9-no-mundo/1913-pesquisador-lista-risco-de-possiveis-danos-causados-por-produtos-de-limpeza.html

Ecologia Feminina

Você sabe o que é Ecologia Feminina?

Não é a toa que muito se ouve falar sobre simpatias da vovó e superstições de mães. Historicamente, a mulher possuí uma sensibilidade maior com a natureza há muitas gerações.

O planeta Terra é vista como a Grande Mãe/Gaia para culturas indígenas e maias. Assim como a relação materna, ela nos dá alimento, nutrientes e abrigo para que haja condições de nascer e florescer as mais diversas formas de vida. Ela é símbolo de fertilidade e criação. É nosso lar e fornece tudo que vem até nós. Ambas as mães são cíclicas e regidas por fases – do período menstrual, da lua e das estações.

Na América Latina, a Mãe Terra é reverenciada como Pachamama, porque possuí os poderes maternos (Mama) e doa alimentos no tempo e universo (Pacha). É a divindade honrada como Mãe das montanhas e dos homens, Senhora dos frutos, Guardiã contra pragas e geadas, Protetora nas viagens e Padroeira da agricultura.

Considerando a conexão com o meio ambiente, a Ecologia Feminina tem um forte viés de sustentabilidade, consumo consciente e saúde da mulher. A defesa desses ideiais depende diretamente das escolhas de cada pessoa todos os dias. Estas escolhas vão desde a compra de um produto na prateleira até a comida no prato. Aí fica demonstrada a tamanha necessidade de opções sustentáveis e orgânicas no mercado, cada vez mais preocupadas com o meio ambiente.

Além das semelhanças à Mãe Natureza, esse movimento surge da relação com a luta ecológica, principalmente nos grupos minoritários. No Congresso Latino-Americano de Ecologia Política realizado na UFBA, Antonia Mello – líder do movimento Xingu Vivo – destacou que os povos indígenas sempre defenderam a natureza como nossa grande casa. Além disso, as mulheres indígenas tem um papel essencial de plantio e colheita que as aproximam muito da terra.

A luta pela preservação do meio ambiente ganha espaço justamente porque o desmatamento e a poluição afetam diretamente a aproximação mulher-natureza. Para tanto, é preciso deixar de lado o preconceito em se falar de movimentos feministas. O Ecofeminismo é justamente para a proteção da mulher e da natureza, as quais estão correlacionadas e são responsáveis pela vida de todos nós.

Desta forma, maior parte da espécie humana parece ainda não compreender que sua sobrevivência depende diretamente da justiça pela igualdade social e da presevação do meio ambiente. Honremos e cuidemos das nossas mães, nossas razões de estarmos aqui.

Fontes:

http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/feminismo-e-ecologia-uma-questao-de-sobrevivencia/

https://bityli.com/jUudT

https://bityli.com/76d2i

Autora

Recifes de coral estão “brilhando” para sobreviver em mares mais quentes, diz estudo

Um estudo global revelou por que os corais “brilham” com as ondas de calor do oceano: para tentar sobreviver.

Uma pesquisa do Laboratório de Recifes de Coral da Universidade de Southampton mostra que, para se protegerem, alguns corais exibem cores deslumbrantes ao sofrer o branqueamento por conta do aquecimento do mar.

Os cientistas da universidade descobriram que as cores brilhantes em corais branqueados servem como uma camada protetora, semelhante a um filtro solar, para quando as microalgas simbióticas são perdidas. Além disso, essas colorações fortes também servem de sinalizador para trazer as algas de volta.

O branqueamento ocorre quando os corais – pequenos animais marinhos que expelem carbonato de cálcio para se protegerem – ficam estressados com o contato com água morna ou poluída. Esse estresse faz com que eles expulsem as zooxantelas, microalgas simbióticas, de dentro de seus tecidos, ficando brancos fantasmagóricos – ou “branqueados”. Este vídeo explica melhor esse processo (em inglês).

As zooxantelas são sua principal fonte de alimento. Se, após expelidas, elas não retornarem rapidamente – ou se as temperaturas ficarem ainda mais quentes –, os corais serão expostos a ainda mais estressores ambientais, o que pode matá-los. Dentro de alguns anos, recifes inteiros podem se decompor e grande parte da biodiversidade que depende de sua estrutura complexa pode ser perdida – uma ameaça aos corais de todo o mundo.

O diretor do Laboratório de Recifes de Coral da Universidade de Southampton, professor Jörg Wiedenmann, explicou que “se as células do coral ainda conseguirem desempenhar pelo menos algumas de suas funções, mesmo com o estresse ambiental que tenha causado seu branqueamento, o aumento dos níveis de luz interna incentivará a produção de pigmentos coloridos e fotoprotetores. A camada de filtro solar resultante favorecerá, então, o retorno das algas simbióticas”.

O surgimento da pigmentação colorida começa de 2 a 3 semanas após a exposição dos corais a estresse térmico leve ou temporário, disse o estudo.

Os recifes de coral, como cidades subaquáticas, sustentam um quarto de toda a vida marinha, abrigando até um milhão de espécies. Além disso, eles promovem segurança alimentar e meios de subsistência a pelo menos meio bilhão de pessoas e protegem as costas dos continentes contra os danos causados por ondas, tempestades e inundações.

Pesquisadores realizaram uma série de experimentos controlados nas instalações dos aquários de coral da Universidade de Southampton.

“Nossa pesquisa mostrou que o branqueamento envolve um mecanismo de autorregulação, uma resposta visual com os dois parceiros da simbiose – coral e alga. Em corais saudáveis, os pigmentos fotossintéticos das algas absorvem grande parte da luz solar. Quando eles as expelem, o excesso de luz passa pelo tecido animal, sendo refletido por seu esqueleto branqueado. Esse aumento de luz interna é muito estressante para as algas simbióticas e pode atrasar ou até mesmo impedir seu retorno mesmo diante de condições normais”, disse Wiedenmann.

No entanto, como explicou a autora do estudo e professora de Biologia Molecular de Corais na Universidade de Southampton, Dra. Cecilia D’Angelo, o branqueamento nem sempre é uma sentença de morte.

“Se o evento estressor for leve, eles podem restabelecer a simbiose com as algas parceiras. Contudo, episódios recentes de branqueamento global causados ​​pelo aquecimento incomum das águas resultaram em alta mortalidade de corais, fazendo com que os recifes do mundo todo lutem para sobreviver”.

Os corais branqueados brilham em cores luminescentes – azul, amarelo e roxo –, fenômeno que desencadeou a Campanha Glowing Gone, do PNUMA com a Ocean Agency e outras organizações de conservação do oceano. Além disso, esse processo foi exibido no documentário “Em Busca dos Corais”, produzido pela Netflix e vencedor do Emmy.

Gases de efeito estufa estão privando nossos oceanos de oxigenação

Biólogos marinhos poderão te contar que algumas espécies de peixes, como o atum e o peixe-espada, conhecidos como mergulhadores de águas profundas por caçarem a 200 metros abaixo de profundidade, estão cada vez mais sendo vistos na superfície.

A razão para essa guinada de comportamento é que o aumento das temperaturas dos mares acabaram com o oxigênio da água, o que torna respirar — e que dirá, caçar — em águas profundas uma tarefa difícil para esses predadores. Quanto mais calor a atmosfera do planeta armazena, mais quente os oceanos ficam.

“Se você pensa no aquecimento dos oceanos, pense (também) na elevação do nível do mar, nas mortes de recifes de corais e na acidificação dos oceanos”, lembra o enviado especial das Nações Unidas para o Oceano, Peter Thomson, em entrevista à ONU Meio Ambiente.

“Isso (tudo) fará com que seja mais difícil para as formas de vida existentes no oceano sobreviver no oceano.”

Em diálogos sobre questões oceânicas, os efeitos dos gases do efeito estufa, como o ozônio em nível terrestre e o dióxido de carbono, não recebem tanta atenção quanto o problema dos plásticos, por exemplo — em grande medida porque esses gases não são visíveis. Mas o oxigênio é tão essencial nos mares quanto em terra. Embora as temperaturas crescentes do mar possam variar em diferentes profundidades, elas levaram zonas profundas, já com baixo volume de oxigênio, a perder ainda mais oxigênio, transformando os habitats da vida subaquática.

Um relatório publicado recentemente pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) revelou que mais de 90% da energia armazenada pelos gases do efeito estufa vai parar nos oceanos. O ano passado testemunhou novas altas da temperatura dos oceanos a 700 metros e 2 mil metros de profundidade. A elevação bateu o recorde anterior, de 2017.

Thomson, que recebeu do secretário-geral da ONU, António Guterres, o mandato de impulsionar a conservação e o uso sustentável dos oceanos, diz que deveríamos, todos, preocupar-nos com esses dados, mesmo que vivamos bem longe do litoral, porque “para cada duas vezes que inspiramos oxigênio, em uma delas nós inspiramos oxigênio produzido pela vida no oceano”.

O Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano foca na poluição do ar e em como podemos fazer mudanças em nossas vidas cotidianas para não só reduzir a quantidade de poluição do ar que produzimos, como também eliminar a sua contribuição para o aquecimento global.

Gases do efeito estufa são a principal fonte de poluição do ar e incluem dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e hexafluoreto de enxofre. Enquanto alguns gases são produzidos por meio de processos naturais, como a respiração dos animais e das plantas, a atividade humana, como a queima de combustíveis fósseis, a criação da pecuária e as emissões de veículos, aumentaram o volume dessas substâncias na atmosfera.

A ONU Meio Ambiente afirma que a poluição originária de fontes terrestres traz preocupações particulares para os oceanos, devido a formas reativas de nitrogênio, entre elas, o óxido nitroso — um potente gás do efeito estufa. O acúmulo de nitrogênio de emissões atmosféricas e do escoamento de resíduos, junto com o fósforo, pode provocar florações de algas que são prejudiciais à vida marinha e causam falta de oxigênio no oceano — o que, por sua vez, pode matar peixes, caranguejos, ostras e outros animais aquáticos.

“Esse problema global, comparado à questão da poluição dos plásticos, passa tipicamente ‘despercebida’, mas não é menos importante, uma vez que se soma à poluição de nutrientes (oriunda) das águas residuais, de outros escoamentos agrícolas e industriais que são levados para o meio ambiente marinho pelos rios”, afirma Christopher Cox, oficial de gestão de programas sobre poluição marinha na ONU Meio Ambiente.

Os oceanos são, de longe, o maior estoque de carbono no planeta, absorvendo em torno de 30% do gás carbônico e 93% de todos os gases do efeito estufa. Mas, por conta da expansão das atividades humanas, os mares estão lutando para acompanhar o ritmo. É por isso que a sociedade civil, os governos e as empresas têm que trabalhar juntos para reduzir os poluentes.

“O oceano tem sido um amortecedor contra a mudança extrema do clima, mas estamos pressionando os seus limites”, complementa Gabriel Grimsditch, oficial de gestão de programas para ecossistemas marinhos na ONU Meio Ambiente.

Sobre o fato de a luta contra o plástico ter se tornado o estandarte da ação pelos oceanos, Thomson afirma que isso foi “realmente útil”, pois trouxe muito engajamento público com o “ecossistema azul”, incluindo a proibição dos plásticos descartáveis em alguns países.Contudo, se quisermos preservar a vibrante vida nos oceanos, uma batalha bem maior precisará ser travada, a fim de que o mundo se mantenha abaixo da meta de aquecimento global de 2°C, definida pelo Acordo de Paris.

“Estão chamando a 25ª Conferência das Partes (sobre Mudança do Clima) de ‘a COP Azul’, um reconhecimento de que os oceanos e o clima são inseparáveis. É tudo um ecossistema só”, diz Thomson.

Atitudes para reduzir a produção de CO2 na sua empresa

Bióloga fala como empresas podem criar iniciativas para a redução de carbono na atmosfera

A cúpula da ONU – Organização das Nações Unidas – está em Nova York com os principais países do mundo discutindo medidas que possam ajudar a combater o aquecimento global.

Para se ter uma ideia, se a terra aquecer mais alguns graus, o planeta e a sociedade sofrerão danos irreversíveis. Segundo relatório divulgado este ano pelo BLab UK, as empresas estão cada vez mais preocupadas com o clima do planeta, por isso, muitas delas têm declarado “Emergência Climática”, e assim, tomado atitudes para tentar reverter esse quadro.

Sustentabilidade também é com o RH

Atualmente não existe uma definição formal acordada sobre o tema, mas segundo o mesmo relatório, Emergência Climática é o reconhecimento de que mudanças fundamentais precisam ser tomadas em relação ao aquecimento global. E isso passa por mudanças de atitudes dos indivíduos e das empresas.

Um exemplo brasileiro de empresa que se preocupa com tal demanda é a Beegreen Sustentabilidade Urbana, que não só desenvolve produtos sustentáveis, como ações que visam diminuir os impactos da sua produção na natureza. “Se não entendermos a gravidade do problema, essa mudança pode causar danos irreversíveis em pouquíssimo tempo. Estamos falando do risco de extinção de várias espécies, incluindo a nossa”, avalia a sócia-proprietária da empresa e bióloga, Jéssica Pertile.

De acordo com a bióloga, a emissão de carbono é hoje uma das principais causas do aquecimento do planeta. Quando esse gás chega à atmosfera, sua espessa camada impede a saída da radiação solar, formando assim uma bolha de calor. Entre as fontes mais significativas de emissão de CO2 estão as indústrias e os resíduos. Mas existem algumas atitudes que podem ser tomadas para diminuição da emissão do gás, para facilitar essa difícil tarefa e ajudar o planeta, elencamos abaixo quatro delas, que podemos tomar agora:

Faça compostagem

Se sua empresa tem cozinha/praça de alimentação, separar os resíduos pode fazer toda a diferença. Crie estações de coleta com lixeira para recicláveis, rejeitos e para o resíduo orgânico. O reciclável você pode encaminhar para a coleta da prefeitura ou para uma associação de catadores. Já o orgânico, deve ser encaminhado para a compostagem. Nesse caso, você pode ter na empresa sua própria composteira ou pode procurar uma empresa que faça o serviço.

Ao compostar os alimentos orgânicos, ao invés de emitir carbono e metano, que seria o caso enviando os orgânicos para aterro, você fixa o carbono no solo, ajudando muito para alcançar a neutralização desse elemento.

Incentive meios alternativos de locomoção

Uma outra alternativa, para diminuir a emissão de CO2, é incentivar seus colaboradores a procurarem meios menos poluentes de locomoção. Sugira caronas coletivas, afinal um carro na rua é melhor do que cinco carros indo para o mesmo lugar. Incentive o uso de bicicletas, instale bicicletários e deixe um espaço reservado para o conforto de quem opta por este modal.

Adote uma área de floresta/Plante árvores

Tem um espaço legal na sua empresa? Que tal plantar árvores? Elas são filtros naturais de CO2 e ajudam no controle da emissão desse gás na atmosfera.

Se você não puder fazer isso, adote florestas! Isso mesmo, sua empresa pode fazer parte de projetos que incentivam o plantio e manutenção de florestas, que são fundamentais para nossa sobrevivência. A organização Iniciativa Verde é uma delas. Lá você pode participar do programa “Amigo da Floresta”, que faz o plantio de árvores em áreas desmatadas do Sistema da Cantareira, um dos principais mananciais do Brasil.

Conheça o programa “Carbon Free”

Esse programa também foi desenvolvido pela Iniciativa Verde, com o objetivo de compensar a emissão de gases de efeito estufa (GEE), decorrentes de qualquer atividade humana: produções, serviços, construções ou eventos. Esse tipo de projeto também é conhecido como Compensação de carbono e/ou Neutralização de carbono.

No Programa Carbon Free, as emissões de GEE são compensadas por meio da recomposição da Mata Atlântica, ou seja, a Iniciativa Verde faz o plantio de árvores nativas de um dos biomas mais ricos em biodiversidade do mundo em áreas de preservação. Quem participa do programa recebe o selo Carbon Free e um certificado, com o número de árvores plantadas e a quantidade de gases de efeito estufa compensada.

E apesar de existir um movimento que tenta negar tais mudanças, elas são reais e agravadas pela ação humana. Por isso, a bióloga lembra que é importante uma ação conjunta da população para evitar que isso aconteça.

Um bom exemplo dessa união foi a proibição do uso do composto químico clorofluorocarboneto (CFC). A medida foi aderida por todos os países, o que ajudou na diminuição do buraco na camada de ozônio. “Repensar as políticas das nossas empresas e tomar algumas dessas atitudes, não só ajudam o planeta como acabam incentivando as pessoas ao nosso redor. São sugestões simples, mas que se aplicadas por todos, podem, sim, fazer a diferença. É importante criar essa consciência de que se todos fizerem sua parte, mesmo que pequena, o pior poderá ser evitado”, finaliza.

Impacto ambiental das embalagens: desafios e soluções da atualidade.

           Quando pensamos em sustentabilidade, olhamos diretamente para o produto. O consumidor consciente costumeiramente se pergunta: “é ecológico?”, “realmente preciso disso?”, “causa algum dano ao meio ambiente?”. É importante reconhecer que a embalagem deve ser igualmente analisada. Muitas vezes, o impacto dela é maior do que o próprio produto. Não é raro encontrar bens de consumo embrulhados em caixas, revestidas por uma camada plástica, embrulhados em uma sacola e assim por diante.

            O Ministério do Meio Ambiente estima que 1/3 do resíduo doméstico é composto por embalagens, sendo 80% delas descartadas após um único uso. Na Europa, dados[1] indicam que embalagens representam 40% dos plásticos e 50% do papel. E qual a necessidade de tudo isso? Vale recordar que uma embalagem exerce várias funções no comércio atual. A primeira (e talvez mais necessária) é a proteção da mercadoria, evitando danos mecânicos e contaminação externa. Igualmente relevante é a informação que uma embalagem expõe sobre o produto, desde avisos e recomendações, até características e diferenciais. Nesse campo, aparece a função de marketing. Muitas embalagens trazem a promoção e formas propaganda estampadas.

            Diante dessa multifuncionalidade, surge a classificação das embalagens conforme o tipo de uso. As embalagens primárias são aquelas em contato direito com o produto, como as latinhas de refrigerante, por exemplo. Já as consideradas secundárias, se ocupam de abrigar as demais, favorecendo a agrupação e apresentação. As terciárias, por final, são aquelas utilizadas para transporte e armazenamento.

            Considerando esse cenário, como o uso de embalagens pode se tornar mais sustentável? A resposta está na otimização e na escolha de materiais. Usualmente, a produção de embalagens conta com quatro materiais base: plásticos, metais, vidro e celulose-papel/papelão[2]. O impacto de cada um deles no meio ambiente depende do design criado pelo produtor e da ação do consumidor frente ao descarte.

            Uma embalagem com serventia de curto prazo e dificilmente absorvida pelo ecossistema, é inquestionavelmente não sustentável. Considerando que o desafio da economia circular é fechar ciclos materiais, as cadeias de produção precisam se conscientizar das consequências negativas do plástico de uso único, ou descartável. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei n. 12.305/2010, estabelece em seu artigo 32 que “as embalagens devem ser fabricadas com materiais que propiciem a reutilização ou a reciclagem”. Ainda, o inciso primeiro reforça:

§ 1o  Cabe aos respectivos responsáveis assegurar que as embalagens sejam:

I – restritas em volume e peso às dimensões requeridas à proteção do conteúdo e à comercialização do produto;

II – projetadas de forma a serem reutilizadas de maneira tecnicamente viável e compatível com as exigências aplicáveis ao produto que contêm;

III – recicladas, se a reutilização não for possível.

            Para atingir um patamar sustentável e circular, é necessária uma inovação e bom senso na utilização de embalagens por parte de empresas. Essa conscientização já está surgindo e as mais atentas irão certamente se destacar perante o consumidor e o meio ambiente. Conforme dados da retrospectiva de 2019 da ABRE[3], realizado pela FGV, naquele ano os setores de limpeza/perfumaria, fumo, couro/calçados, farmacêuticos e informática tiveram queda no uso de embalagens.

           Ademais do papel importante a ser desempenhado por empresas, o consumidor também representa um pilar significativo. A escolha por produtos que sejam planejados e desenhados de modo a reduzir a necessidade de embalagens é uma atitude primordial. O descarte correto de uma eventual embalagem tem igual importância. O problema do acúmulo de resíduos sólidos no Brasil poderia ser minimizado pela destinação e tratamento mais assertivo dos materiais.

            A embalagem tem a capacidade de ser aliada ao consumo consciente. É um veículo de informações, pode (e deve) trazer uma simbologia adequada de descarte (para o produto e a própria embalagem) e incentivar o reuso e a reciclagem. A quantidade de camadas de embalagem utilizadas pelos bens de consumo, por sua vez, deve sempre ser reduzida e ponderada. Afinal, tudo que abunda, eventualmente prejudica.

[1] Patricia Megale Coelho, Blanca Corona, Roland ten Klooster, Ernst Worrell. Sustainability of reusable packaging – Current situation and trends. Resources, Conservation & Recycling: X (2020).
[2] LANDIM, Ana Paula Miguel et al . Sustentabilidade quanto às embalagens de alimentos no Brasil. Polímeros,  São Carlos ,  v. 26, n. spe, p. 82-92,    2016 .
[3] Disponível em: https://www.abre.org.br/dados-do-setor/ano2019/

Autora

Carol Gusi

As ODSs da ONU e a poluição marítima: o que temos a ver com isto?

A poluição é algo que só nos preocupa quando vemos, sofremos ou tememos. Por exemplo, o incêndio na Amazônia provoca reações na comunidade internacional porque é visto em vídeos e cria temor de consequências que atingiriam não apenas a população local, mas também residentes em países distantes.

A poluição do mar, à exceção daquela existente na costa litorânea, não é vista pela maioria da população. Geralmente ocorre a quilômetros do litoral, não causa revolta e seus efeitos são ignorados.

No entanto, nem por isso ela é menos importante. Afinal, “a imensa quantidade de substâncias lançadas nos oceanos produz o aparecimento de organismos que prejudicam o desenvolvimento da vida marinha e também comprometem o percentual de alimentos”.[ii] A explicação é singela, mas encerra graves consequências para a humanidade.

O ambiente marinho foi dividido pelo homem, para fins de uso e guarda. No Brasil a Lei 8.617/93 divide o território marítimo quatro zonas: 1) mar territorial, que é uma faixa de 12 milhas marítimas de largura, medidas a partir da linha de baixa-mar do litoral continental e insular; 2) zona contígua, uma faixa que se estende das 12 às 24 milhas marítimas; 3) zona econômica exclusiva, que consiste em uma faixa que se estende das 12 às 200 milhas marítimas; 4) plataforma continental, que compreende o leito e o subsolo das áreas submarinas que se estendem além do seu mar territorial.

Além destas zonas demarcadas, temos o alto mar, onde nenhum Estado pode invocar soberania, sendo, a todos, inclusive aos que não tem costa marítima, assegurada a liberdade de pesca e de navegação, entre outras (Convenção, artigo 86).

Vejamos agora as principais causas da poluição marinha. Ao pensar no tema vem-nos à mente aquela causada por vazamento de navios e embarcações de menor porte. No entanto, segundo Dario A. P. Freitas “cerca de 82% da poluição marítima decorre de atividades terrestres. Entre estas pode-se mencionar as emissões de esgoto, descargas industriais, agrotóxicos levados pelas águas das chuvas, acúmulo de lixo, poluição carregada pelos rios e pelo ar, provenientes dos veículos e indústrias, etc.[iii]

A estas causas acrescenta-se uma mais recente: a poluição por plásticos lançados às águas do mar. O plástico “provoca ferimentos nos animais marinhos que se entrelaçam nas peças maiores e confundem-no, aos pedaços mais pequenos, com comida. A ingestão de partículas de plástico pode impedi-los de digerir os alimentos normais e originar poluentes químicos tóxicos nos seus organismos”.[iv]

Os problemas causados pelos plásticos nas águas marítimas, que incluem a formação de uma ilha entre o Haway e a Califórnia que, segundo a Scientific Reports, tem uma área de cerca de mais de duas vezes o território da França[v], foi objeto de deliberação da União Europeia em 27 de março de 2019, com vigência a partir de 2021, que proíbe o uso de plásticos descartáveis se houver alternativas feitas de outros materiais no mercado e, caso não hajam,reduzir seu consumo em nível nacional, aumentar as exigências para a produção e rotulagem, criando, ainda novas obrigações para os produtores em relação à gestão e resíduos.[vi]

Dentro deste preocupante quadro surgiram em 2015 os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que devem ser cumpridos até 2030 e que “são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade”.[vii]

Ressalte-se que o conceituado Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), lançou a Série Cadernos ODS, com minuciosa análise dos desafios e possibilidades de cumprimento de tais objetivos pelo Brasil.[viii] Eles constituem a base teórica das considerações aqui feitas

A poluição dos oceanos está prevista na ODS 14 que invoca a:

Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável”.

A partir desta premissa básica, a ODS14 divide-se em 7 objetivos e mais 3 itens. Vejamos as que se mostram próximas da realidade brasileira.

O Objetivo 14.1 propõe que até 2025, se previna e reduza significativamente a poluição marinha de todos os tipos.O saneamento foi objeto da recente Lei 14.026/2020, que busca maior eficiência a esse relevante serviço. O turismo tem regras precisas e controle dos órgãos ambientais. Porém há duas variáveis consideradas no indicador da meta 14.1 a necessitar de providências: monitoramento da nossa longa costa marítima, com dados sobre o nível de eutrofização (processo de poluição que torna a água turva ou esverdeada) e densidade de detritos plásticos flutuantes. Aqui devem ser direcionados os esforços.

O Objetivo 14.2 fixa 2020 como prazo para que o Brasil possa gerir de forma sustentável e proteger os ecossistemas marinhos e costeiros. Segundo conclusão dos estudos do Ipea, é necessário implantar um sistema de monitoramento que passe a levantar os dados necessários para a mensuração do indicador original. É o que se tem a fazer.

O Objetivo 14.3 propõe minimizar e enfrentar os impactos da acidificação dos oceanos, que pode ser causada por formas diversas, como a utilização de motores que utilizam combustíveis fósseis, o desmatamento e a industrialização excessiva. Estas condutas provocam a absorção de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. Ocorre que isto é um fato não monitorado ao longo da extensa costa brasileira, o que torna difícil diminuir a acidez do oceano. Uma vez mais, reclama-se acompanhamento.

O Objetivo 14.4 é urgente. Propõe que até 2020, seja regularizada a pesca, acabando-se com a sobrepesca, com a pesca ilegal, não reportada (não informada ou informada erroneamente à autoridade) e não regulamentada. Por sua vez o Objetivo 14.6 ambiciona até 2020, proibir certas formas de subsídios à pesca, que contribuem para a sobrecapacidade e a sobrepesca, e eliminar os subsídios que contribuam para a pesca irregular. Finalmente o Objetivo 14 B visa proporcionar o acesso dos pescadores artesanais aos recursos marinhos e mercados.

A pesca é uma atividade econômica de grande importância, empregando milhares de pessoas que em grande parte trabalham por conta própria e na informalidade. Apesar de sua importância social e econômica, as informações disponíveis sobre a pesca marinha sugerem que esta passa por um processo de exaustão. O último boletim nacional de estatística pesqueira foi publicado em 2011.[ix]

Registre-se que a fiscalização, da zona costeira à plataforma continental, é deficiente. O Ibama não tem estrutura adequada. A Marinha de Guerra, que tem poderes de fiscalização (artigo 70, parágrafo 1º, da Lei 9.605/1998), não tem por vocação a proteção do meio ambiente. Já passou da hora de termos uma guarda costeira, com poderes de fiscalização ambiental, além de atividades contra o contrabando e o tráfico de drogas.

Neste particular é preciso que os financiamentos dos bancos e órgãos de investimentos fiquem restritos às companhias pesqueiras que atuem na legalidade e que revelem preocupações sociais e ambientais.

As demais metas da ODS 14 não guardam relação mais próxima com a nossa realidade, o que torne desnecessário comentá-las.

Exposta, assim, a situação da poluição marinha, os objetivos perseguidos pelas ODSs da ONU, vejamos o que nós temos a ver e o que podemos fazer para melhorar a situação existente. Óbvio que aqueles que detém posição de mando têm maiores possibilidades de agir, mas o dever é de todos, conforme artigo 225 da Constituição. Eis algumas formas de ação:

1) Divulgação e consciência das ODSs, pois elas pertencem e são do interesse de todos e não apenas da ONU;

2) Mudança de hábitos, reduzindo o consumo ao realmente necessário, rejeitando plásticos envolvendo produtos (p. ex., comprados em farmácias) e enviando mensagens às indústrias que se valem de invólucros enormes e desnecessários;

3) Educação Ambiental: lutar pela revogação do artigo 10, parágrafo 1º, da Lei 9.795/99, a fim de que meio ambiente seja uma matéria e não algo a ser dado por todos professores.

4) Criação da Guarda Costeira Nacional.

5) Restringir financiamentos e suspender subsídios àqueles que não adotam a sustentabilidade ambiental e social.

Façamos, cada um, o que está ao nosso alcance. Escolhamos parlamentares comprometidos e cobremos ações. Este é o nosso compromisso ético com as futuras gerações.

[i] A Convenção de Montego Bay foi internalizada na ordem jurídica brasileira através do Decreto 99.165/1990. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1990/decreto-99165-12-marco-1990-328535-publicacaooriginal-1-pe.html. Acesso em 02/10/2020.

[ii] Brasil Escola. Poluição marinha. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/poluicao-marinha.htm. Acesso em 30/9/2020.

[iii] FREITAS, Dario Almeida Passos de. Poluição Marítima. Legislação, doutrina e jurisprudência. Curitiba: Juruá,2009, p. 17.

[iv] Plástico nos oceanos: os factos, os efeitos e as novas regras da EU. Disponível em: https://www.europarl.europa.eu/news/pt/headlines/society/20181005STO15110/plastico-nos-oceanos-os-factos-os-efeitos-e-as-novas-regras-da-ue. Acesso em 2/10/2020.

[v] Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Meio-Ambiente/noticia/2018/03/ilha-de-lixo-no-oceano-pacifico-e-16-vezes-maior-do-que-se-imaginava.html

[vi] União Europeia aprova legislação para banir produtos plásticos descartáveis. Disponível em: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/03/27/uniao-europeia-aprova-legislacao-para-banir-produtos-plasticos-descartaveis.ghtml. Acesso em 2/10/2020.

[vii] Organização das Nações Unidas. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs. Acesso em 2/10/2020.

[viii] Ipea analisa situação do Brasil frente aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Disponível em: ttps://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=34865&Itemid=9.Acesso em 2/10/2020.

[ix] Disponível em: https://www.icmbio.gov.br/cepsul/images/stories/biblioteca/download/estatistica/est_2011_bol__bra.pdf. Acesso em 3/10/2020.

Revista Consultor Jurídico

Reciclado ou Reciclável?

As duas expressões lembram sustentabilidade e cativam o consumidor consciente da era moderna. No entanto, representam materiais com peculiaridades diferentes e demandam distintos processos de gestão de resíduos. De forma simplificada, o material considerado reciclável é aquele que pode ser submetido à um processo de reciclagem e, com isso, continuar o seu ciclo de uso comercial. Já os produtos reciclados, são aqueles que já passaram por um processo de reciclagem e estão em reaproveitamento.

Por trás dessa diferenciação básica, existem circunstâncias que devem ser levadas em consideração. Um produto reciclável nem sempre será reciclado, isso ocorre por falha da distribuição do material para cooperativas, pelo baixo valor de mercado, pelo simples descarte incorreto, dentre outros motivos. O EPS, mais conhecido como Isopor® da marca registrada da Knauf, é um produto reciclável, no entanto, a sua composição com até 98% de ar (e o restante material plástico) o torna muito leve, ocupando grande espaço. Com isso, as cooperativas e catadores têm pouco incentivo e um retorno financeiro pequeno com a destinação do material para centros de reciclagem. Os dados são rasos sobre a reciclagem do material, mas a Plastvida, Instituto socioambiental dos plásticos, estipulou que em 2012 foram reciclados 34,5% do EPS no Brasil[1], ou seja, nem metade do volume total pós consumo.

Em contrapartida, outro material reciclável apresenta números mais atraentes. O alumínio é vantajoso por ser infinitamente reciclável e ser reutilizável, no entanto, é um material que persiste no meio ambiente, ou seja, tem decomposição muito lenta (entre oitenta e duzentos anos). Segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) e da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas)[2], no ano de 2018 foram reciclados 96,9% do material no Brasil.

A comparação se presta a demonstrar que, mesmo quando reciclável, o material pode ter uma destinação inadequada. O material reciclado, por sua vez, faz parte da porção que chegou ao processo de reciclagem e foi transformado em outros produtos. Alguns materiais podem passar por vários processos de reciclagem e manter as suas características, como o alumínio por exemplo. Já materiais como o papel, em razão da degradação das fibras, podem ser submetidos à um número finito de processos de reciclagem.

Diante das informações, como identificar produtos de material reciclável e reciclado? O Ciclo de Mobius, símbolo internacional da reciclagem, é um bom indicador. O famoso logotipo, criado por Gary Anderson durante um concurso de design em 1970, é de domínio público e utilizado mundialmente. No Brasil, não há um órgão regulador que fiscalize a utilização da simbologia, mas a Associação Brasileira de Embalagens (ABRE) oferece cartilhas com orientação.

Uma embalagem que contém o Ciclo de Mobius estampado é considerada reciclável. Caso também haja uma porcentagem estampada, o valor indica a percentagem do material que é composta de materiais já reciclados.

[1] Disponível em: http://www.plastivida.org.br/images/releases/Release_092_Indice_Reciclagem.pdf

[2] Disponível em: http://www.abralatas.org.br/brasil-se-mantem-na-lideranca-mundial-de-%E2%80%A8reciclagem-de-latas-de-aluminio-para-bebidas/



Autor

Carol Gusi

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