Relatório de Sustentabilidade – Agosto 2021

Agosto também passou voando por aí? Apesar da rapidez, foi um mês pra lá de incrível e cheio de novidades que você pode encontrar no novo Relatório de Sustentabilidade da Onda Eco. Vem descobrir o que movimentou nosso mês, como uma nova cara para a política de privacidade, uma ação social maravilhosa e a certificação como Empresa B.

Pesquisador lista risco de possíveis danos causados por produtos de limpeza

Produtos de limpeza possuem centenas de substâncias químicas com efeitos tóxicos conhecidos e outros problemas em potencial, segundo o pesquisador Tom Natan, da National Environment Trust, nos Estados Unidos (EUA). O efeito dos compostos químicos presentes nos limpadores se agrava por causa da maneira com que os produtos são empregados durante as faxinas domésticas. Usar limpadores em pequenas quantidades e em ambientes ventilados é um cenário ideal, mas, na prática, muitos produtos são usados na higiene domiciliar, e cada um cumpre uma tarefa específica. Um limpador é usado exclusivamente no espelho, um na privada, um para o piso, um na janela, outro para o ralo e ainda outros para tirar mofos e desengordurar superfícies.

Efeitos em nós e no planeta

O contato com todos esses compostos acumulados é superior ao que os fabricantes desses artigos projetam para a sua utilização, diz Tom Natan, engenheiro químico da organização não lucrativa National Environment Trust. Dentre os perigos dos produtos de limpeza a que estamos sujeitos por causa de uma exposição prolongada estão: danos a funções neurológicas e prejuízos ao sistema respiratório. Além de toxinas carcinogênicas presentes em alguns produtos.

O problema não acaba nas considerações sobre a saúde humana. O meio ambiente também pode ser prejudicado depois que a limpeza escoa pelo ralo. O descarte de fosfato contribui para a eutrofização em massas de água, por exemplo.

Faltam estudos confiáveis e informação geral sobre os níveis de segurança dos compostos químicos nos produtos de limpeza, diz Natan. Também não há dados suficientes para declarar que produtos verdes sejam mais seguros para a nossa saúde.

Uma das ações para mitigar os possíveis danos ao bem estar das pessoas e do lugar em que vivem é excluir substâncias químicas que possuam efeitos nocivos bem conhecidos do processo de fabricação dos agentes de limpeza. Empresas já estão trabalhando para garantir que os ingredientes usados em suas mercadorias não irão colocar os consumidores em risco nem contribuir para problemas ambientais, como o aquecimento global, a deterioração da camada de ozônio ou a poluição marinha e atmosférica.

Limpadores verdes

Produtos que seguem a linha sustentável agridem menos o meio ambiente, custam mais caro e requerem um pouco mais de trabalho para produzirem a mesma aparência de limpeza dos produtos convencionais. Mas a linha verde chega a níveis satisfatórios de higienização, inclusive em testes com as principais marcas do mercado. Sendo que os produtos que utilizam cloro são os únicos limpadores cuja eficácia ainda é muito superior em relação às opções verdes no mercado da limpeza.

Artigo Original

https://www.ecycle.com.br/component/content/article/9-no-mundo/1913-pesquisador-lista-risco-de-possiveis-danos-causados-por-produtos-de-limpeza.html

Ecologia Feminina

Você sabe o que é Ecologia Feminina?

Não é a toa que muito se ouve falar sobre simpatias da vovó e superstições de mães. Historicamente, a mulher possuí uma sensibilidade maior com a natureza há muitas gerações.

O planeta Terra é vista como a Grande Mãe/Gaia para culturas indígenas e maias. Assim como a relação materna, ela nos dá alimento, nutrientes e abrigo para que haja condições de nascer e florescer as mais diversas formas de vida. Ela é símbolo de fertilidade e criação. É nosso lar e fornece tudo que vem até nós. Ambas as mães são cíclicas e regidas por fases – do período menstrual, da lua e das estações.

Na América Latina, a Mãe Terra é reverenciada como Pachamama, porque possuí os poderes maternos (Mama) e doa alimentos no tempo e universo (Pacha). É a divindade honrada como Mãe das montanhas e dos homens, Senhora dos frutos, Guardiã contra pragas e geadas, Protetora nas viagens e Padroeira da agricultura.

Considerando a conexão com o meio ambiente, a Ecologia Feminina tem um forte viés de sustentabilidade, consumo consciente e saúde da mulher. A defesa desses ideiais depende diretamente das escolhas de cada pessoa todos os dias. Estas escolhas vão desde a compra de um produto na prateleira até a comida no prato. Aí fica demonstrada a tamanha necessidade de opções sustentáveis e orgânicas no mercado, cada vez mais preocupadas com o meio ambiente.

Além das semelhanças à Mãe Natureza, esse movimento surge da relação com a luta ecológica, principalmente nos grupos minoritários. No Congresso Latino-Americano de Ecologia Política realizado na UFBA, Antonia Mello – líder do movimento Xingu Vivo – destacou que os povos indígenas sempre defenderam a natureza como nossa grande casa. Além disso, as mulheres indígenas tem um papel essencial de plantio e colheita que as aproximam muito da terra.

A luta pela preservação do meio ambiente ganha espaço justamente porque o desmatamento e a poluição afetam diretamente a aproximação mulher-natureza. Para tanto, é preciso deixar de lado o preconceito em se falar de movimentos feministas. O Ecofeminismo é justamente para a proteção da mulher e da natureza, as quais estão correlacionadas e são responsáveis pela vida de todos nós.

Desta forma, maior parte da espécie humana parece ainda não compreender que sua sobrevivência depende diretamente da justiça pela igualdade social e da presevação do meio ambiente. Honremos e cuidemos das nossas mães, nossas razões de estarmos aqui.

Fontes:

http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/feminismo-e-ecologia-uma-questao-de-sobrevivencia/

https://bityli.com/jUudT

https://bityli.com/76d2i

Autora

O que é o Selo Vegano – SVB

O QUE É?

O Selo Vegano é um programa de certificação de produtos criado em 2013 e gerenciado pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB). Seja no ramo alimentício, químico (cosmético, limpeza e higiene) ou de vestuário, nós analisamos e certificamos produtos (não empresas) que atendam a três critérios:

• Produto sem ingredientes de origem animal *;
• Empresa não testa produto finalizado em animais **;
• Fabricantes fornecedores não testam os ingredientes em animais**.

*A possibilidade de presença não intencional de resíduos de origem animal nos produtos, não é um fator que impede o produto de obter a certificação Selo Vegano SVB. A análise e verificação deste critério inclui tanto a composição quanto o processo de fabricação (mesmo se o ingrediente não estiver na composição do produto final). Para saber mais, clique aqui.

**Considerando o período de carência, de no mínimo 5 anos para testes em animais para todos os produtos e ingredientes em processo de certificação.

QUAIS OS BENEFÍCIOS?

Entendemos que o nosso programa de certificação traz pelo menos três tipos de benefícios:

Para os consumidores:
• Facilidade na hora de identificar produtos veganos com segurança e sem a necessidade de ler e interpretar todos os componentes e descrições nas embalagens.

Para as marcas:
• Mais segurança da sua própria cadeia no que diz respeito a insumos veganos ou não veganos, bem como ao produto final;
• Maior probabilidade de venda do seu produto a 55% da população brasileira (ver seção “Mercado Vegano no Brasil”);
• Divulgação dos seus produtos nos canais e eventos da Sociedade Vegetariana Brasileira.

Para a causa:
• Incentivamos o desenvolvimento e qualificação das cadeias de fornecimento de insumos para indústrias a respeito de produtos veganos;
• Divulgação do conceito “vegano” em milhares de pontos de venda ao redor do país.

MERCADO VEGANO NO BRASIL

Seja por saúde, respeito aos animais ou preocupações ambientais, a demanda por produtos veganos está passando por um crescimento sem precedentes. Segundo pesquisa do IBOPE Inteligência (2018), 14% dos brasileiros se declaram vegetarianos – um crescimento de 75% em relação a 2012. Os não vegetarianos também geram demanda significativa por produtos veganos.

Segundo a mesma pesquisa de 2018, mais da metade dos brasileiros consumiria mais produtos veganos se estivessem melhor indicados na embalagem (55%) ou se tivessem o mesmo preço que os produtos que estão acostumados a consumir (60%).

Além disso, 63% da população gostariam de reduzir o seu consumo de carnes (Datafolha, 2017).

Saiba mais sobre o mercado vegano no Brasil.

INVESTIMENTO

O investimento para certificar produtos varia de acordo com diversos fatores, tais como quantidade de produtos, complexidade de composição, presença de insumos críticos, e porte da empresa. O piso da taxa anual de licenciamento atualmente é de R$ 850,00.

SOBRE A SVB

Fundada em 2003, a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) promove o vegetarianismo como uma opção alimentar ética, saudável, sustentável e socialmente justa. Por meio de campanhas, convênios, eventos, fomento ao mercado, pesquisa e ativismo, a SVB realiza a conscientização sobre os benefícios do vegetarianismo, e trabalha para aumentar o acesso da população a produtos e serviços vegetarianos.

Quem avalia os produtos?

Os produtos são avaliados por uma comissão de colaboradores da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), com auxílio de parceiros e outras organizações, de um escritório de advocacia, uma engenheira de alimentos e um técnico em calçados. A avaliação não se dá meramente por verificação documental da composição dos produtos, mas por extensa avaliação do processo de desenvolvimento e fabricação, incluindo possível contatos com fornecedores da empresa responsável pelo produto e, se, e quando necessário, análises laboratoriais e visitas à planta de produção.

Por que alguns produtos aparentemente veganos não possuem o selo na embalagem? Isso significa que eles não são veganos?

Naturalmente, o selo vegano da SVB não está presente em todos os produtos veganos do mercado brasileiro. Isso ocorre por diversas razões, incluindo a limitação da capacidade da SVB de acessar todos os fabricantes e comerciantes de tais produtos, a opção de parte dos fabricantes de não aderir ao selo e/ou pagar a taxa de licenciamento anual para isso, entre outras inúmeras razões.

Como e faço para que minha empresa tenha o certificado?

É preciso ter clara a ideia de que o selo não é concedido a uma empresa; ele é concedido a um produto. Uma empresa, mesmo que inteiramente vegana, pode solicitar certificação, mas ela será concedida produto a produto. A empresa, como um todo, jamais poderá usar o selo associando-o à empresa como um todo, mas apenas aos produtos cuja certificação foi concedida.Para uma empresa obter o selo para parte ou a totalidade dos seus produtos, ela deve seguir o passo-a-passo da certificação conforme explicado em seção própria

Para mais informações verificar site oficial

Conheça algumas soluções inovadoras para retirar lixo dos oceanos

Link do artigo original no fim do site

plástico faz parte das nossas vidas. Ele está na nossa rotina e em quase tudo o que usamos. Esse material até pode facilitar a nossa vida, mas também traz uma série de problemas ambientais, especialmente os que são de uso único. Você já parou para pensar onde todo o plástico descartado vai parar no fim do dia? Lembre que o “jogar fora” só tira da sua casa, mas não sai do planeta!

Muita gente tem o costume de limpar e separar os lixos em casa para a reciclagem. Mas, mesmo assim, ainda existem milhares de outros resíduos que são descartados de forma irregular. E dentre eles, os plásticos descartáveis são a principal fonte da poluição, pois existe um baixíssimo interesse em reciclar esse tipo de material.

Conheça alguns dos projetos que fazem a diferença para remover os resíduos plásticos de rios e oceanos:

1. Ecobarreira Arroio Dilúvio, Porto Alegre

Em Porto Alegre foi instalada uma ecobarreira no Arroio Dilúvio – um córrego da cidade. A barreira é uma estrutura flutuante, feita a partir de materiais reciclados e que foi instalada para ajudar na preservação do Lago Guaíba, que banha cinco cidades gaúchas, com alta importância ambiental, econômica e histórico cultural da região.

O objetivo da barreira é recolher o lixo flutuante que vem pelo córrego e impedir que chegue ao lago. Os resíduos retidos no local são recolhidos diariamente pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana.

Desde a sua implementação, em 2016, até hoje, já foram retiradas mais de 500 toneladas de resíduos plásticos. O projeto foi pioneiro na América Latina. Sendo mantido integralmente pela empresa SafeWeb, com apoio das Secretarias Municipais do Meio Ambiente e Sustentabilidade e a de Serviços Urbanos, além do professor Gino Gehling, do instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

2. Projeto Ecoboat/Renove

O projeto Ecoboat/Renove atua no Rio de Janeiro e consiste em um barco coletor de lixo. A embarcação conta com uma pá na proa, que ajuda a recolher os resíduos sólidos da água, com capacidade de até quatro toneladas de detritos.

Quando o contêiner lota, todo o material recolhido é descarregado em um caminhão, passando por um centro de triagem para reciclagem dos resíduos. Essa segunda parte do trabalho é feita por empresas devidamente licenciadas pelos órgãos ambientais competentes.

O Ecoboat já atuou no entorno do Cais do Porto do Rio de Janeiro, Píer Mauá (Museu do Amanhã), Ilha do Governador, Niterói e até mesmo na Ilha de Villegagnon, antes das competições de iatismo nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

3. Eco barreira Rio Atuba

Em Curitiba, o Rio Atuba também ganhou uma ecobarreira para reter o lixo sólido que flutuava pelas águas do rio. O projeto foi desenvolvido por um morador da região.

Diego Saldanha aprendeu a nadar no rio Atuba e foi testemunha do acúmulo de lixo com o passar dos anos. Ele reuniu centenas de garrafas pet de dois litros em uma rede para criar a barreira flutuante, unindo uma margem do rio à outra e impedindo que detritos circulem livremente pela correnteza.

Desde a sua construção, em 2017, Diego estima já ter retirado cerca de três toneladas de lixo do rio.

4. Ecobarreira da Escola Municipal de Recife

Estudantes Escola Municipal Professor Antônio de Brito Alves, no Recife, também decidiram criar sua própria ecobarreira. O modelo também foi desenvolvido com garrafas pet unidas por um cabo, para reduzir a quantidade de resíduos sólidos no canal do ABC, que fica em frente à escola.

Os alunos foram orientados por quatro professores e começaram as pesquisas para desenvolver o projeto ainda em 2015. Eles constataram que cerca de 70% dos moradores da região não sabia quanto tempo o lixo leva para se decompor, e por isso jogavam resíduos no canal.

O projeto ganhou reconhecimento, conquistando primeiro lugar na Feira de Conhecimentos do Recife em 2018 e também credenciamento para uma feira de ciência e tecnologia no Paraguai neste ano.

5. Seabin Project

Seabin Project foi criado na Austrália pelos surfistas Andrew Turton e Pete Ceglinski. Eles se inspiraram então em máquinas que retiram folhas de piscinas para criar a Seabin, que, em termos básicos, é uma lata de lixo flutuante para capturar os resíduos do oceano. Para os idealizadores do projeto, uma grande lixeira no mar poderia ser a solução para recolher os resíduos poluentes.

Existem diversas Seabins espalhadas pelo mundo, principalmente na Europa. O sistema é barato e de baixa manutenção. E depois da coleta do lixo plástico, este é reciclado para servir de matéria-prima para uma nova Seabin. Assim, criando um efeito dominó para a limpeza das águas.

O aparelho pode ser colocado em rios, mares, ou ambientes controlados, como portos ou marinas, e suga a água e todos os resíduos, desde plásticos, papéis, metais, restos de alimentos e até mesmo óleo.

A máquina retém os materiais sólidos, e os líquidos passam por um cano e são filtrados, separando a água do óleo e de detergente. Depois desse processo a água, agora limpa, é devolvida.

6. Netting Trash Trap

Netting Trash Trap foi desenvolvida pela empresa Storm Waters System para capturar resíduos sólidos e lidar com o escoamento de águas pluviais em centros urbanos. Basicamente, são redes instaladas nas saídas de canos, para diminuir as descargas de lixo em sistemas de drenagem.

Essas redes retêm resíduos brutos a partir de 5 mm, incluindo materiais orgânicos, como folhas. Essa é uma solução econômica para a sujeira no escoamento das águas pluviais.

7. Hoola One

O projeto Hoola One foi desenvolvido por estudantes da Universidade Sherbrooke no Canadá pensando em remover não apenas os resíduos sólidos das águas, mas também os chamados microplásticos.

Os microplásticos são pequenos pedaços de plástico que poluem o meio ambiente. Não são parte de um tipo específico de material, mas qualquer fragmento com menos de 5 mm, que podem prejudicar a vida marinha tanto quanto os resíduos maiores.

Desenvolvido por estudantes de engenharia, o Hoola One é um aspirador gigante que remove os microplásticos das praias. A máquina suga a areia e armazena em um tanque de água. A areia afunda e separa-se do microplástico, que flutua no compartimento. Depois da separação, a areia volta para a praia e o plástico é coletado para a reciclagem. 

Seja com alta tecnologia envolvida ou apenas partindo da vontade de ajudar o planeta, cada projeto consegue fazer a sua parte na limpeza dos oceanos. E nós também podemos ajudar, com um consumo consciente do plástico e a destinação correta dos resíduos podemos mudar a realidade da Terra. Lembre-se: a mudança de hábito começa por você! O que você faz por um mundo mais limpo?

Artigo Original

Produtos veganos: saiba como optar por uma limpeza mais ‘verde’ no seu dia a dia

Para trocar os seus produtos convencionais por produtos de limpeza veganos e mais ‘verdes’, saiba quais os principais itens que precisam de atenção. É necessário fazer uma transição dos produtos comuns para produtos mais sustentáveis, livres de poluentes, do insumo de produtos sintéticos animais ou até mesmo livres de testes em animais.

Por que trocar seus produtos

Para tornar-se um adepto do green cleaning (limpeza verde, em tradução literal), é preciso entender o porquê da necessidade da melhor escolha dos produtos utilizados.

revista Science Mag publicou em fevereiro deste ano um relatório que mostra, em números, quanto os produtos de limpeza convencionais contribuem para a poluição atmosférica urbana – tanto quanto os gases emitidos pelos automóveis! Tintas, vernizes e produtos de limpeza tradicionais apresentam efeitos nocivos à saúde, tendo em vista os produtos químicos que os compõem.

Isso acontece já que esses produtos apresentam compostos orgânicos voláteis em sua composição. Eles estão em estado gasoso no ambiente e, ao reagir na atmosfera, se agrupam às partículas de poluentes. Quando respiradas por nós, essas partículas são capazes de causar ferimentos nos nossos pulmões, podendo desencadear ou até mesmo agravar doenças respiratórias.

Até mesmo problemas de alergia e de pele podem surgir entre as pessoas que têm mais contato com esses produtos, pois os tradicionais são desenvolvidos tendo em base ingredientes da indústria petroquímica. O desinfetante, por exemplo, precisa passar por diversos processos químicos e pela adição de elementos sintéticos em sua lista de ingredientes para chegar em seu estado final. Quando o nosso organismo reage com esses compostos, é provável que possa ser desencadeada uma reação alérgica.

Produtos de limpeza comum vs. produtos de limpeza veganos

A principal diferença entre esses dois tipos de produtos baseia-se na composição dos mesmos, ou seja, em seus ingredientes. Os produtos de limpeza veganos são feitos à base de ingredientes vegetais. Não apenas um dos componentes do detergente vegano é biodegradável, por exemplo, mas toda a cadeia de elementos que compõem o produto. Isso faz com que, ao entrarem em contrato com a água, os produtos não tornem-se poluentes. Em sua composição, costumam usar óleos essenciais, vegetais e ervas.

Saiba buscar por marcas que produzem produtos sérios e realmente ‘verdes’

O mercado brasileiro de produtos de limpeza veganos ainda é pequeno. A Sociedade Vegetariana Brasileira afirmou que somente 6 empresas no país possuem o selo SVB para produto de limpeza. Ao se tratar de empresas alimentícias, por exemplo, o Brasil já possui mais de 450 certificadas. Esse número também tem crescido na área de beleza e cosméticos, ultrapassando mais de 40 empresas com o certificado.

“O nosso processo de certificação leva em consideração todos os ingredientes que compõem o produto final. Checamos todos os ingredientes para ver se nenhum deles teve envolvimento com produtos de origem animal no processo produtivo, ou se houve o insumo de produtos sintéticos animais ou se algum deles já foi testado em animais. Esse rastreio de cadeia é muito importante. No Brasil temos poucas empresas trabalhando com produtos de higiene e limpeza e que se atentam para essas questões. A maioria das pessoas busca soluções individuais e faz experimentos em casas. Outra grande parcela da população utiliza as marcas tradicionais e não se questiona por que essas marcas ainda não se atentaram para uma certificação de um processo de produção mais limpo”, explica Carol Murua, gerente de certificação do selo vegano da SVB, em entrevista ao HuffPost Brasil.

Sem pressa na hora de trocar os produtos de sua casa!

Para ter uma rotina mais saudável, não precisa abrir mão de todos os produtos de limpeza comuns de uma hora para outra. Dúvidas surgirão, portanto tenha calma e busque ler mais sobre o assunto e se informar sobre as empresas que produzem os produtos que compra. Um passo de cada vez.

Dicas!

Crie o costume de unir-se, na hora da limpeza, a produtos como álcool, vinagre branco, bicarbonato de sódio, óleo de eucalipto e essências naturais. Eles te permitirão uma boa faxina.

O álcool é um coringa porque dissolve muitas substâncias, facilita na remoção da sujeira e tem alto poder desinfetante. Já o vinagre branco é um ácido fraco que te permite esterilizar superfícies. Você pode substituir o desinfetante por ele e até mesmo o amaciante de roupas, quando dissolvidas duas colheres de sopa em um litro de água.

O bicarbonato também é ótimo: levemente abrasivo, então consegue polir sem deixar marcas nos móveis e objetos. Por fim, os óleos essenciais são ótimos para dar um cheirinho agradável ao ambiente, além de também serem ótimos desinfetantes.

 

 

Recifes de coral estão “brilhando” para sobreviver em mares mais quentes, diz estudo

Um estudo global revelou por que os corais “brilham” com as ondas de calor do oceano: para tentar sobreviver.

Uma pesquisa do Laboratório de Recifes de Coral da Universidade de Southampton mostra que, para se protegerem, alguns corais exibem cores deslumbrantes ao sofrer o branqueamento por conta do aquecimento do mar.

Os cientistas da universidade descobriram que as cores brilhantes em corais branqueados servem como uma camada protetora, semelhante a um filtro solar, para quando as microalgas simbióticas são perdidas. Além disso, essas colorações fortes também servem de sinalizador para trazer as algas de volta.

O branqueamento ocorre quando os corais – pequenos animais marinhos que expelem carbonato de cálcio para se protegerem – ficam estressados com o contato com água morna ou poluída. Esse estresse faz com que eles expulsem as zooxantelas, microalgas simbióticas, de dentro de seus tecidos, ficando brancos fantasmagóricos – ou “branqueados”. Este vídeo explica melhor esse processo (em inglês).

As zooxantelas são sua principal fonte de alimento. Se, após expelidas, elas não retornarem rapidamente – ou se as temperaturas ficarem ainda mais quentes –, os corais serão expostos a ainda mais estressores ambientais, o que pode matá-los. Dentro de alguns anos, recifes inteiros podem se decompor e grande parte da biodiversidade que depende de sua estrutura complexa pode ser perdida – uma ameaça aos corais de todo o mundo.

O diretor do Laboratório de Recifes de Coral da Universidade de Southampton, professor Jörg Wiedenmann, explicou que “se as células do coral ainda conseguirem desempenhar pelo menos algumas de suas funções, mesmo com o estresse ambiental que tenha causado seu branqueamento, o aumento dos níveis de luz interna incentivará a produção de pigmentos coloridos e fotoprotetores. A camada de filtro solar resultante favorecerá, então, o retorno das algas simbióticas”.

O surgimento da pigmentação colorida começa de 2 a 3 semanas após a exposição dos corais a estresse térmico leve ou temporário, disse o estudo.

Os recifes de coral, como cidades subaquáticas, sustentam um quarto de toda a vida marinha, abrigando até um milhão de espécies. Além disso, eles promovem segurança alimentar e meios de subsistência a pelo menos meio bilhão de pessoas e protegem as costas dos continentes contra os danos causados por ondas, tempestades e inundações.

Pesquisadores realizaram uma série de experimentos controlados nas instalações dos aquários de coral da Universidade de Southampton.

“Nossa pesquisa mostrou que o branqueamento envolve um mecanismo de autorregulação, uma resposta visual com os dois parceiros da simbiose – coral e alga. Em corais saudáveis, os pigmentos fotossintéticos das algas absorvem grande parte da luz solar. Quando eles as expelem, o excesso de luz passa pelo tecido animal, sendo refletido por seu esqueleto branqueado. Esse aumento de luz interna é muito estressante para as algas simbióticas e pode atrasar ou até mesmo impedir seu retorno mesmo diante de condições normais”, disse Wiedenmann.

No entanto, como explicou a autora do estudo e professora de Biologia Molecular de Corais na Universidade de Southampton, Dra. Cecilia D’Angelo, o branqueamento nem sempre é uma sentença de morte.

“Se o evento estressor for leve, eles podem restabelecer a simbiose com as algas parceiras. Contudo, episódios recentes de branqueamento global causados ​​pelo aquecimento incomum das águas resultaram em alta mortalidade de corais, fazendo com que os recifes do mundo todo lutem para sobreviver”.

Os corais branqueados brilham em cores luminescentes – azul, amarelo e roxo –, fenômeno que desencadeou a Campanha Glowing Gone, do PNUMA com a Ocean Agency e outras organizações de conservação do oceano. Além disso, esse processo foi exibido no documentário “Em Busca dos Corais”, produzido pela Netflix e vencedor do Emmy.

Gases de efeito estufa estão privando nossos oceanos de oxigenação

Biólogos marinhos poderão te contar que algumas espécies de peixes, como o atum e o peixe-espada, conhecidos como mergulhadores de águas profundas por caçarem a 200 metros abaixo de profundidade, estão cada vez mais sendo vistos na superfície.

A razão para essa guinada de comportamento é que o aumento das temperaturas dos mares acabaram com o oxigênio da água, o que torna respirar — e que dirá, caçar — em águas profundas uma tarefa difícil para esses predadores. Quanto mais calor a atmosfera do planeta armazena, mais quente os oceanos ficam.

“Se você pensa no aquecimento dos oceanos, pense (também) na elevação do nível do mar, nas mortes de recifes de corais e na acidificação dos oceanos”, lembra o enviado especial das Nações Unidas para o Oceano, Peter Thomson, em entrevista à ONU Meio Ambiente.

“Isso (tudo) fará com que seja mais difícil para as formas de vida existentes no oceano sobreviver no oceano.”

Em diálogos sobre questões oceânicas, os efeitos dos gases do efeito estufa, como o ozônio em nível terrestre e o dióxido de carbono, não recebem tanta atenção quanto o problema dos plásticos, por exemplo — em grande medida porque esses gases não são visíveis. Mas o oxigênio é tão essencial nos mares quanto em terra. Embora as temperaturas crescentes do mar possam variar em diferentes profundidades, elas levaram zonas profundas, já com baixo volume de oxigênio, a perder ainda mais oxigênio, transformando os habitats da vida subaquática.

Um relatório publicado recentemente pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) revelou que mais de 90% da energia armazenada pelos gases do efeito estufa vai parar nos oceanos. O ano passado testemunhou novas altas da temperatura dos oceanos a 700 metros e 2 mil metros de profundidade. A elevação bateu o recorde anterior, de 2017.

Thomson, que recebeu do secretário-geral da ONU, António Guterres, o mandato de impulsionar a conservação e o uso sustentável dos oceanos, diz que deveríamos, todos, preocupar-nos com esses dados, mesmo que vivamos bem longe do litoral, porque “para cada duas vezes que inspiramos oxigênio, em uma delas nós inspiramos oxigênio produzido pela vida no oceano”.

O Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano foca na poluição do ar e em como podemos fazer mudanças em nossas vidas cotidianas para não só reduzir a quantidade de poluição do ar que produzimos, como também eliminar a sua contribuição para o aquecimento global.

Gases do efeito estufa são a principal fonte de poluição do ar e incluem dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e hexafluoreto de enxofre. Enquanto alguns gases são produzidos por meio de processos naturais, como a respiração dos animais e das plantas, a atividade humana, como a queima de combustíveis fósseis, a criação da pecuária e as emissões de veículos, aumentaram o volume dessas substâncias na atmosfera.

A ONU Meio Ambiente afirma que a poluição originária de fontes terrestres traz preocupações particulares para os oceanos, devido a formas reativas de nitrogênio, entre elas, o óxido nitroso — um potente gás do efeito estufa. O acúmulo de nitrogênio de emissões atmosféricas e do escoamento de resíduos, junto com o fósforo, pode provocar florações de algas que são prejudiciais à vida marinha e causam falta de oxigênio no oceano — o que, por sua vez, pode matar peixes, caranguejos, ostras e outros animais aquáticos.

“Esse problema global, comparado à questão da poluição dos plásticos, passa tipicamente ‘despercebida’, mas não é menos importante, uma vez que se soma à poluição de nutrientes (oriunda) das águas residuais, de outros escoamentos agrícolas e industriais que são levados para o meio ambiente marinho pelos rios”, afirma Christopher Cox, oficial de gestão de programas sobre poluição marinha na ONU Meio Ambiente.

Os oceanos são, de longe, o maior estoque de carbono no planeta, absorvendo em torno de 30% do gás carbônico e 93% de todos os gases do efeito estufa. Mas, por conta da expansão das atividades humanas, os mares estão lutando para acompanhar o ritmo. É por isso que a sociedade civil, os governos e as empresas têm que trabalhar juntos para reduzir os poluentes.

“O oceano tem sido um amortecedor contra a mudança extrema do clima, mas estamos pressionando os seus limites”, complementa Gabriel Grimsditch, oficial de gestão de programas para ecossistemas marinhos na ONU Meio Ambiente.

Sobre o fato de a luta contra o plástico ter se tornado o estandarte da ação pelos oceanos, Thomson afirma que isso foi “realmente útil”, pois trouxe muito engajamento público com o “ecossistema azul”, incluindo a proibição dos plásticos descartáveis em alguns países.Contudo, se quisermos preservar a vibrante vida nos oceanos, uma batalha bem maior precisará ser travada, a fim de que o mundo se mantenha abaixo da meta de aquecimento global de 2°C, definida pelo Acordo de Paris.

“Estão chamando a 25ª Conferência das Partes (sobre Mudança do Clima) de ‘a COP Azul’, um reconhecimento de que os oceanos e o clima são inseparáveis. É tudo um ecossistema só”, diz Thomson.

Impacto ambiental das embalagens: desafios e soluções da atualidade.

           Quando pensamos em sustentabilidade, olhamos diretamente para o produto. O consumidor consciente costumeiramente se pergunta: “é ecológico?”, “realmente preciso disso?”, “causa algum dano ao meio ambiente?”. É importante reconhecer que a embalagem deve ser igualmente analisada. Muitas vezes, o impacto dela é maior do que o próprio produto. Não é raro encontrar bens de consumo embrulhados em caixas, revestidas por uma camada plástica, embrulhados em uma sacola e assim por diante.

            O Ministério do Meio Ambiente estima que 1/3 do resíduo doméstico é composto por embalagens, sendo 80% delas descartadas após um único uso. Na Europa, dados[1] indicam que embalagens representam 40% dos plásticos e 50% do papel. E qual a necessidade de tudo isso? Vale recordar que uma embalagem exerce várias funções no comércio atual. A primeira (e talvez mais necessária) é a proteção da mercadoria, evitando danos mecânicos e contaminação externa. Igualmente relevante é a informação que uma embalagem expõe sobre o produto, desde avisos e recomendações, até características e diferenciais. Nesse campo, aparece a função de marketing. Muitas embalagens trazem a promoção e formas propaganda estampadas.

            Diante dessa multifuncionalidade, surge a classificação das embalagens conforme o tipo de uso. As embalagens primárias são aquelas em contato direito com o produto, como as latinhas de refrigerante, por exemplo. Já as consideradas secundárias, se ocupam de abrigar as demais, favorecendo a agrupação e apresentação. As terciárias, por final, são aquelas utilizadas para transporte e armazenamento.

            Considerando esse cenário, como o uso de embalagens pode se tornar mais sustentável? A resposta está na otimização e na escolha de materiais. Usualmente, a produção de embalagens conta com quatro materiais base: plásticos, metais, vidro e celulose-papel/papelão[2]. O impacto de cada um deles no meio ambiente depende do design criado pelo produtor e da ação do consumidor frente ao descarte.

            Uma embalagem com serventia de curto prazo e dificilmente absorvida pelo ecossistema, é inquestionavelmente não sustentável. Considerando que o desafio da economia circular é fechar ciclos materiais, as cadeias de produção precisam se conscientizar das consequências negativas do plástico de uso único, ou descartável. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei n. 12.305/2010, estabelece em seu artigo 32 que “as embalagens devem ser fabricadas com materiais que propiciem a reutilização ou a reciclagem”. Ainda, o inciso primeiro reforça:

§ 1o  Cabe aos respectivos responsáveis assegurar que as embalagens sejam:

I – restritas em volume e peso às dimensões requeridas à proteção do conteúdo e à comercialização do produto;

II – projetadas de forma a serem reutilizadas de maneira tecnicamente viável e compatível com as exigências aplicáveis ao produto que contêm;

III – recicladas, se a reutilização não for possível.

            Para atingir um patamar sustentável e circular, é necessária uma inovação e bom senso na utilização de embalagens por parte de empresas. Essa conscientização já está surgindo e as mais atentas irão certamente se destacar perante o consumidor e o meio ambiente. Conforme dados da retrospectiva de 2019 da ABRE[3], realizado pela FGV, naquele ano os setores de limpeza/perfumaria, fumo, couro/calçados, farmacêuticos e informática tiveram queda no uso de embalagens.

           Ademais do papel importante a ser desempenhado por empresas, o consumidor também representa um pilar significativo. A escolha por produtos que sejam planejados e desenhados de modo a reduzir a necessidade de embalagens é uma atitude primordial. O descarte correto de uma eventual embalagem tem igual importância. O problema do acúmulo de resíduos sólidos no Brasil poderia ser minimizado pela destinação e tratamento mais assertivo dos materiais.

            A embalagem tem a capacidade de ser aliada ao consumo consciente. É um veículo de informações, pode (e deve) trazer uma simbologia adequada de descarte (para o produto e a própria embalagem) e incentivar o reuso e a reciclagem. A quantidade de camadas de embalagem utilizadas pelos bens de consumo, por sua vez, deve sempre ser reduzida e ponderada. Afinal, tudo que abunda, eventualmente prejudica.

[1] Patricia Megale Coelho, Blanca Corona, Roland ten Klooster, Ernst Worrell. Sustainability of reusable packaging – Current situation and trends. Resources, Conservation & Recycling: X (2020).
[2] LANDIM, Ana Paula Miguel et al . Sustentabilidade quanto às embalagens de alimentos no Brasil. Polímeros,  São Carlos ,  v. 26, n. spe, p. 82-92,    2016 .
[3] Disponível em: https://www.abre.org.br/dados-do-setor/ano2019/

Autora

Carol Gusi

As ODSs da ONU e a poluição marítima: o que temos a ver com isto?

A poluição é algo que só nos preocupa quando vemos, sofremos ou tememos. Por exemplo, o incêndio na Amazônia provoca reações na comunidade internacional porque é visto em vídeos e cria temor de consequências que atingiriam não apenas a população local, mas também residentes em países distantes.

A poluição do mar, à exceção daquela existente na costa litorânea, não é vista pela maioria da população. Geralmente ocorre a quilômetros do litoral, não causa revolta e seus efeitos são ignorados.

No entanto, nem por isso ela é menos importante. Afinal, “a imensa quantidade de substâncias lançadas nos oceanos produz o aparecimento de organismos que prejudicam o desenvolvimento da vida marinha e também comprometem o percentual de alimentos”.[ii] A explicação é singela, mas encerra graves consequências para a humanidade.

O ambiente marinho foi dividido pelo homem, para fins de uso e guarda. No Brasil a Lei 8.617/93 divide o território marítimo quatro zonas: 1) mar territorial, que é uma faixa de 12 milhas marítimas de largura, medidas a partir da linha de baixa-mar do litoral continental e insular; 2) zona contígua, uma faixa que se estende das 12 às 24 milhas marítimas; 3) zona econômica exclusiva, que consiste em uma faixa que se estende das 12 às 200 milhas marítimas; 4) plataforma continental, que compreende o leito e o subsolo das áreas submarinas que se estendem além do seu mar territorial.

Além destas zonas demarcadas, temos o alto mar, onde nenhum Estado pode invocar soberania, sendo, a todos, inclusive aos que não tem costa marítima, assegurada a liberdade de pesca e de navegação, entre outras (Convenção, artigo 86).

Vejamos agora as principais causas da poluição marinha. Ao pensar no tema vem-nos à mente aquela causada por vazamento de navios e embarcações de menor porte. No entanto, segundo Dario A. P. Freitas “cerca de 82% da poluição marítima decorre de atividades terrestres. Entre estas pode-se mencionar as emissões de esgoto, descargas industriais, agrotóxicos levados pelas águas das chuvas, acúmulo de lixo, poluição carregada pelos rios e pelo ar, provenientes dos veículos e indústrias, etc.[iii]

A estas causas acrescenta-se uma mais recente: a poluição por plásticos lançados às águas do mar. O plástico “provoca ferimentos nos animais marinhos que se entrelaçam nas peças maiores e confundem-no, aos pedaços mais pequenos, com comida. A ingestão de partículas de plástico pode impedi-los de digerir os alimentos normais e originar poluentes químicos tóxicos nos seus organismos”.[iv]

Os problemas causados pelos plásticos nas águas marítimas, que incluem a formação de uma ilha entre o Haway e a Califórnia que, segundo a Scientific Reports, tem uma área de cerca de mais de duas vezes o território da França[v], foi objeto de deliberação da União Europeia em 27 de março de 2019, com vigência a partir de 2021, que proíbe o uso de plásticos descartáveis se houver alternativas feitas de outros materiais no mercado e, caso não hajam,reduzir seu consumo em nível nacional, aumentar as exigências para a produção e rotulagem, criando, ainda novas obrigações para os produtores em relação à gestão e resíduos.[vi]

Dentro deste preocupante quadro surgiram em 2015 os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, que devem ser cumpridos até 2030 e que “são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade”.[vii]

Ressalte-se que o conceituado Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), lançou a Série Cadernos ODS, com minuciosa análise dos desafios e possibilidades de cumprimento de tais objetivos pelo Brasil.[viii] Eles constituem a base teórica das considerações aqui feitas

A poluição dos oceanos está prevista na ODS 14 que invoca a:

Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável”.

A partir desta premissa básica, a ODS14 divide-se em 7 objetivos e mais 3 itens. Vejamos as que se mostram próximas da realidade brasileira.

O Objetivo 14.1 propõe que até 2025, se previna e reduza significativamente a poluição marinha de todos os tipos.O saneamento foi objeto da recente Lei 14.026/2020, que busca maior eficiência a esse relevante serviço. O turismo tem regras precisas e controle dos órgãos ambientais. Porém há duas variáveis consideradas no indicador da meta 14.1 a necessitar de providências: monitoramento da nossa longa costa marítima, com dados sobre o nível de eutrofização (processo de poluição que torna a água turva ou esverdeada) e densidade de detritos plásticos flutuantes. Aqui devem ser direcionados os esforços.

O Objetivo 14.2 fixa 2020 como prazo para que o Brasil possa gerir de forma sustentável e proteger os ecossistemas marinhos e costeiros. Segundo conclusão dos estudos do Ipea, é necessário implantar um sistema de monitoramento que passe a levantar os dados necessários para a mensuração do indicador original. É o que se tem a fazer.

O Objetivo 14.3 propõe minimizar e enfrentar os impactos da acidificação dos oceanos, que pode ser causada por formas diversas, como a utilização de motores que utilizam combustíveis fósseis, o desmatamento e a industrialização excessiva. Estas condutas provocam a absorção de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. Ocorre que isto é um fato não monitorado ao longo da extensa costa brasileira, o que torna difícil diminuir a acidez do oceano. Uma vez mais, reclama-se acompanhamento.

O Objetivo 14.4 é urgente. Propõe que até 2020, seja regularizada a pesca, acabando-se com a sobrepesca, com a pesca ilegal, não reportada (não informada ou informada erroneamente à autoridade) e não regulamentada. Por sua vez o Objetivo 14.6 ambiciona até 2020, proibir certas formas de subsídios à pesca, que contribuem para a sobrecapacidade e a sobrepesca, e eliminar os subsídios que contribuam para a pesca irregular. Finalmente o Objetivo 14 B visa proporcionar o acesso dos pescadores artesanais aos recursos marinhos e mercados.

A pesca é uma atividade econômica de grande importância, empregando milhares de pessoas que em grande parte trabalham por conta própria e na informalidade. Apesar de sua importância social e econômica, as informações disponíveis sobre a pesca marinha sugerem que esta passa por um processo de exaustão. O último boletim nacional de estatística pesqueira foi publicado em 2011.[ix]

Registre-se que a fiscalização, da zona costeira à plataforma continental, é deficiente. O Ibama não tem estrutura adequada. A Marinha de Guerra, que tem poderes de fiscalização (artigo 70, parágrafo 1º, da Lei 9.605/1998), não tem por vocação a proteção do meio ambiente. Já passou da hora de termos uma guarda costeira, com poderes de fiscalização ambiental, além de atividades contra o contrabando e o tráfico de drogas.

Neste particular é preciso que os financiamentos dos bancos e órgãos de investimentos fiquem restritos às companhias pesqueiras que atuem na legalidade e que revelem preocupações sociais e ambientais.

As demais metas da ODS 14 não guardam relação mais próxima com a nossa realidade, o que torne desnecessário comentá-las.

Exposta, assim, a situação da poluição marinha, os objetivos perseguidos pelas ODSs da ONU, vejamos o que nós temos a ver e o que podemos fazer para melhorar a situação existente. Óbvio que aqueles que detém posição de mando têm maiores possibilidades de agir, mas o dever é de todos, conforme artigo 225 da Constituição. Eis algumas formas de ação:

1) Divulgação e consciência das ODSs, pois elas pertencem e são do interesse de todos e não apenas da ONU;

2) Mudança de hábitos, reduzindo o consumo ao realmente necessário, rejeitando plásticos envolvendo produtos (p. ex., comprados em farmácias) e enviando mensagens às indústrias que se valem de invólucros enormes e desnecessários;

3) Educação Ambiental: lutar pela revogação do artigo 10, parágrafo 1º, da Lei 9.795/99, a fim de que meio ambiente seja uma matéria e não algo a ser dado por todos professores.

4) Criação da Guarda Costeira Nacional.

5) Restringir financiamentos e suspender subsídios àqueles que não adotam a sustentabilidade ambiental e social.

Façamos, cada um, o que está ao nosso alcance. Escolhamos parlamentares comprometidos e cobremos ações. Este é o nosso compromisso ético com as futuras gerações.

[i] A Convenção de Montego Bay foi internalizada na ordem jurídica brasileira através do Decreto 99.165/1990. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1990/decreto-99165-12-marco-1990-328535-publicacaooriginal-1-pe.html. Acesso em 02/10/2020.

[ii] Brasil Escola. Poluição marinha. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/poluicao-marinha.htm. Acesso em 30/9/2020.

[iii] FREITAS, Dario Almeida Passos de. Poluição Marítima. Legislação, doutrina e jurisprudência. Curitiba: Juruá,2009, p. 17.

[iv] Plástico nos oceanos: os factos, os efeitos e as novas regras da EU. Disponível em: https://www.europarl.europa.eu/news/pt/headlines/society/20181005STO15110/plastico-nos-oceanos-os-factos-os-efeitos-e-as-novas-regras-da-ue. Acesso em 2/10/2020.

[v] Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Meio-Ambiente/noticia/2018/03/ilha-de-lixo-no-oceano-pacifico-e-16-vezes-maior-do-que-se-imaginava.html

[vi] União Europeia aprova legislação para banir produtos plásticos descartáveis. Disponível em: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/03/27/uniao-europeia-aprova-legislacao-para-banir-produtos-plasticos-descartaveis.ghtml. Acesso em 2/10/2020.

[vii] Organização das Nações Unidas. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/sdgs. Acesso em 2/10/2020.

[viii] Ipea analisa situação do Brasil frente aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Disponível em: ttps://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=34865&Itemid=9.Acesso em 2/10/2020.

[ix] Disponível em: https://www.icmbio.gov.br/cepsul/images/stories/biblioteca/download/estatistica/est_2011_bol__bra.pdf. Acesso em 3/10/2020.

Revista Consultor Jurídico

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