Economia circular: como criar um mundo onde o lixo não existe?

A existência de uma economia circular é um tema muito discutido atualmente que pode ser entendido de forma simples. Pense nos resíduos que são descartados diariamente na sua casa e que poderiam ser utilizados como insumos para produção de novos produtos no mercado. Pense também que, na natureza, todos os resíduos orgânicos que jogamos fora servem como adubo para a terra e as diversas árvores ao redor. Pensou?

A Economia Circular

Assim como você pensou, a principal idéia da economia circular é tirar o conceito de “lixo” que temos já formado em nossa cabeça e substituir por uma visão mais contínua e cíclica de produção, na qual os recursos deixam de ser somente explorados e descartados e passam a ser reaproveitados em um novo ciclo.

O principal motivo pelo qual essa idéia tem tudo a ver com sustentabilidade é que ela se inspira no mecanismo dos próprios ecossistemas naturais. Eles geram os recursos a longo prazo num processo contínuo de reaproveitamento e reciclagem. Dessa forma se une o modelo sustentável com a tecnologia e o comércio global.

Economia circular e logística reversa: o que difere?

A ideia da economia circular anda de mãos dadas com o conceito de logística reversa, já que a base da economia circular seria:

● reuso, por parte do próprio consumidor final;
● remanufatura, a reutilização que consiste nas etapas de desmontagem do produto usado, na limpeza de suas peças, na reparação ou substituição de peças danificadas e em testes de qualidade do produto;
● updating, no caso de produtos eletro-eletrônico;
● remontagem (do produto) que deverá apresentar perfeitas condições;
● reciclagem que em nível industrial é o processo de transformar resíduos ou produtos inúteis e descartáveis em novos materiais ou produtos de maior valor, uso ou qualidade.

A logística reversa, que é um conjunto de meios que leva a coleta e a devolução dos resíduos sólidos ao setor empresarial, está ligada às etapas de remanufatura e reciclagem na economia circular. Ambos esses conceitos estão diretamente ligados à responsabilidade que todos têm pelo ciclo de vida de um produto, para que ele seja reaproveitado em seu ciclo produtivo.

Cada setor envolvido no processo de produção tem um dever na logística reversa. São eles: consumidores devolverem produtos inutilizados em locais específicos; comerciantes instalarem locais para a devolução; indústrias retirarem os produtos e reciclá-los ou reutilizá-los; e governo promover conscientização para consumidores e fiscalizar as etapas.

E onde entra a compensação ambiental?

Para que o processo da formação de uma economia circular seja financeiramente viável é importante considerar a necessidade de custos específicos para cada etapa realizada. Há, então, a compensação ambiental que serve para acrescentar no valor final os custos sociais e ambientais da degradação que o empreendimento gera como um todo. Assim como o crédito de carbono. Ou seja, ela é um mecanismo financeiro para contrabalancear impactos ambientais, de suma importância para a realização da economia circular.

É possível notar que a economia circular não depende apenas das empresas e sim de todos os envolvidos no ciclo de vida de um produto, então, atitudes como a rotulagem ecológica de produtos, disseminação de informações sobre questões ambientais na mídia e cursos oferecidos pelas instituições de ensino são importantes para familiarizar a sociedade com a economia circular. Além disso, é necessário melhorar a eficiência no reaproveitamento de resíduos sólidos e na criação de produtos, aperfeiçoando a composição ou formato que possibilite que o material retorne para a cadeia produtiva.

Circular desde a criação

Um dos meios que podem ser utilizados pela economia circular é a metodologia de design C2C/Cradle to Cradle (do berço ao berço). Ela estabelece a criação de produtos, materiais, componentes e processos industriais por sistemas cíclicos aproveitando ao máximo seu valor. Medidas tomadas para minimizar impactos e reduzir danos através da eficiência de processos produtivos não são mais suficientes para lidar com as questões ambientais atuais, visto que a produção ainda extrai recursos, gerando resíduos (mesmo que em menor quantidade). Então, buscaram-se soluções que tornassem a indústria uma força positiva e não apenas menos destrutiva.

Na abordagem Cradle to Cradle, o processo é saudável e circular, ou seja, os resíduos são introduzidos novamente como nutrientes e, segundo este método, é possível que a natureza, economia e sociedade convivam em harmonia.

Um dos principais fundamentos é ter nutrientes como resíduos. Como isso seria possível? Os materiais e suas propriedades devem ser estudados por meio de um inventário que contém suas respectivas informações, sejam elas saudáveis ou não. Assim, as substâncias não tão benéficas seriam substituídas por outras que sejam positivas. Os produtos a serem usados também devem ser passíveis de se tornarem nutritivos para os metabolismos técnicos e biológicos, tendo um retorno seguro e nutritivo à biosfera. Além disso, outro fundamento importante é a utilização da fonte solar no máximo potencial do sistema Cradle to Cradle, já que é uma energia que entra constantemente e considerada renovável.

Sustentável, inclusivo e acessível

Para alcançar uma economia circular, finalmente, deve-se olhar para o contexto, para a necessidade dos usuários e saber trabalhar o potencial de cada situação, otimizando recursos e resultados. É importante manter os processos sempre inclusivos e acessíveis, além de sustentáveis, tornando-os justos para cada parte da cadeia produtiva.

Artigo original: https://blog.eureciclo.com.br/economia-circular-mundo-lixo-nao-existe

Ecologia Feminina

Você sabe o que é Ecologia Feminina?

Não é a toa que muito se ouve falar sobre simpatias da vovó e superstições de mães. Historicamente, a mulher possuí uma sensibilidade maior com a natureza há muitas gerações.

O planeta Terra é vista como a Grande Mãe/Gaia para culturas indígenas e maias. Assim como a relação materna, ela nos dá alimento, nutrientes e abrigo para que haja condições de nascer e florescer as mais diversas formas de vida. Ela é símbolo de fertilidade e criação. É nosso lar e fornece tudo que vem até nós. Ambas as mães são cíclicas e regidas por fases – do período menstrual, da lua e das estações.

Na América Latina, a Mãe Terra é reverenciada como Pachamama, porque possuí os poderes maternos (Mama) e doa alimentos no tempo e universo (Pacha). É a divindade honrada como Mãe das montanhas e dos homens, Senhora dos frutos, Guardiã contra pragas e geadas, Protetora nas viagens e Padroeira da agricultura.

Considerando a conexão com o meio ambiente, a Ecologia Feminina tem um forte viés de sustentabilidade, consumo consciente e saúde da mulher. A defesa desses ideiais depende diretamente das escolhas de cada pessoa todos os dias. Estas escolhas vão desde a compra de um produto na prateleira até a comida no prato. Aí fica demonstrada a tamanha necessidade de opções sustentáveis e orgânicas no mercado, cada vez mais preocupadas com o meio ambiente.

Além das semelhanças à Mãe Natureza, esse movimento surge da relação com a luta ecológica, principalmente nos grupos minoritários. No Congresso Latino-Americano de Ecologia Política realizado na UFBA, Antonia Mello – líder do movimento Xingu Vivo – destacou que os povos indígenas sempre defenderam a natureza como nossa grande casa. Além disso, as mulheres indígenas tem um papel essencial de plantio e colheita que as aproximam muito da terra.

A luta pela preservação do meio ambiente ganha espaço justamente porque o desmatamento e a poluição afetam diretamente a aproximação mulher-natureza. Para tanto, é preciso deixar de lado o preconceito em se falar de movimentos feministas. O Ecofeminismo é justamente para a proteção da mulher e da natureza, as quais estão correlacionadas e são responsáveis pela vida de todos nós.

Desta forma, maior parte da espécie humana parece ainda não compreender que sua sobrevivência depende diretamente da justiça pela igualdade social e da presevação do meio ambiente. Honremos e cuidemos das nossas mães, nossas razões de estarmos aqui.

Fontes:

http://www.cienciaecultura.ufba.br/agenciadenoticias/noticias/feminismo-e-ecologia-uma-questao-de-sobrevivencia/

https://bityli.com/jUudT

https://bityli.com/76d2i

Autora

Conheça algumas soluções inovadoras para retirar lixo dos oceanos

Link do artigo original no fim do site

plástico faz parte das nossas vidas. Ele está na nossa rotina e em quase tudo o que usamos. Esse material até pode facilitar a nossa vida, mas também traz uma série de problemas ambientais, especialmente os que são de uso único. Você já parou para pensar onde todo o plástico descartado vai parar no fim do dia? Lembre que o “jogar fora” só tira da sua casa, mas não sai do planeta!

Muita gente tem o costume de limpar e separar os lixos em casa para a reciclagem. Mas, mesmo assim, ainda existem milhares de outros resíduos que são descartados de forma irregular. E dentre eles, os plásticos descartáveis são a principal fonte da poluição, pois existe um baixíssimo interesse em reciclar esse tipo de material.

Conheça alguns dos projetos que fazem a diferença para remover os resíduos plásticos de rios e oceanos:

1. Ecobarreira Arroio Dilúvio, Porto Alegre

Em Porto Alegre foi instalada uma ecobarreira no Arroio Dilúvio – um córrego da cidade. A barreira é uma estrutura flutuante, feita a partir de materiais reciclados e que foi instalada para ajudar na preservação do Lago Guaíba, que banha cinco cidades gaúchas, com alta importância ambiental, econômica e histórico cultural da região.

O objetivo da barreira é recolher o lixo flutuante que vem pelo córrego e impedir que chegue ao lago. Os resíduos retidos no local são recolhidos diariamente pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana.

Desde a sua implementação, em 2016, até hoje, já foram retiradas mais de 500 toneladas de resíduos plásticos. O projeto foi pioneiro na América Latina. Sendo mantido integralmente pela empresa SafeWeb, com apoio das Secretarias Municipais do Meio Ambiente e Sustentabilidade e a de Serviços Urbanos, além do professor Gino Gehling, do instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

2. Projeto Ecoboat/Renove

O projeto Ecoboat/Renove atua no Rio de Janeiro e consiste em um barco coletor de lixo. A embarcação conta com uma pá na proa, que ajuda a recolher os resíduos sólidos da água, com capacidade de até quatro toneladas de detritos.

Quando o contêiner lota, todo o material recolhido é descarregado em um caminhão, passando por um centro de triagem para reciclagem dos resíduos. Essa segunda parte do trabalho é feita por empresas devidamente licenciadas pelos órgãos ambientais competentes.

O Ecoboat já atuou no entorno do Cais do Porto do Rio de Janeiro, Píer Mauá (Museu do Amanhã), Ilha do Governador, Niterói e até mesmo na Ilha de Villegagnon, antes das competições de iatismo nos Jogos Olímpicos Rio 2016.

3. Eco barreira Rio Atuba

Em Curitiba, o Rio Atuba também ganhou uma ecobarreira para reter o lixo sólido que flutuava pelas águas do rio. O projeto foi desenvolvido por um morador da região.

Diego Saldanha aprendeu a nadar no rio Atuba e foi testemunha do acúmulo de lixo com o passar dos anos. Ele reuniu centenas de garrafas pet de dois litros em uma rede para criar a barreira flutuante, unindo uma margem do rio à outra e impedindo que detritos circulem livremente pela correnteza.

Desde a sua construção, em 2017, Diego estima já ter retirado cerca de três toneladas de lixo do rio.

4. Ecobarreira da Escola Municipal de Recife

Estudantes Escola Municipal Professor Antônio de Brito Alves, no Recife, também decidiram criar sua própria ecobarreira. O modelo também foi desenvolvido com garrafas pet unidas por um cabo, para reduzir a quantidade de resíduos sólidos no canal do ABC, que fica em frente à escola.

Os alunos foram orientados por quatro professores e começaram as pesquisas para desenvolver o projeto ainda em 2015. Eles constataram que cerca de 70% dos moradores da região não sabia quanto tempo o lixo leva para se decompor, e por isso jogavam resíduos no canal.

O projeto ganhou reconhecimento, conquistando primeiro lugar na Feira de Conhecimentos do Recife em 2018 e também credenciamento para uma feira de ciência e tecnologia no Paraguai neste ano.

5. Seabin Project

Seabin Project foi criado na Austrália pelos surfistas Andrew Turton e Pete Ceglinski. Eles se inspiraram então em máquinas que retiram folhas de piscinas para criar a Seabin, que, em termos básicos, é uma lata de lixo flutuante para capturar os resíduos do oceano. Para os idealizadores do projeto, uma grande lixeira no mar poderia ser a solução para recolher os resíduos poluentes.

Existem diversas Seabins espalhadas pelo mundo, principalmente na Europa. O sistema é barato e de baixa manutenção. E depois da coleta do lixo plástico, este é reciclado para servir de matéria-prima para uma nova Seabin. Assim, criando um efeito dominó para a limpeza das águas.

O aparelho pode ser colocado em rios, mares, ou ambientes controlados, como portos ou marinas, e suga a água e todos os resíduos, desde plásticos, papéis, metais, restos de alimentos e até mesmo óleo.

A máquina retém os materiais sólidos, e os líquidos passam por um cano e são filtrados, separando a água do óleo e de detergente. Depois desse processo a água, agora limpa, é devolvida.

6. Netting Trash Trap

Netting Trash Trap foi desenvolvida pela empresa Storm Waters System para capturar resíduos sólidos e lidar com o escoamento de águas pluviais em centros urbanos. Basicamente, são redes instaladas nas saídas de canos, para diminuir as descargas de lixo em sistemas de drenagem.

Essas redes retêm resíduos brutos a partir de 5 mm, incluindo materiais orgânicos, como folhas. Essa é uma solução econômica para a sujeira no escoamento das águas pluviais.

7. Hoola One

O projeto Hoola One foi desenvolvido por estudantes da Universidade Sherbrooke no Canadá pensando em remover não apenas os resíduos sólidos das águas, mas também os chamados microplásticos.

Os microplásticos são pequenos pedaços de plástico que poluem o meio ambiente. Não são parte de um tipo específico de material, mas qualquer fragmento com menos de 5 mm, que podem prejudicar a vida marinha tanto quanto os resíduos maiores.

Desenvolvido por estudantes de engenharia, o Hoola One é um aspirador gigante que remove os microplásticos das praias. A máquina suga a areia e armazena em um tanque de água. A areia afunda e separa-se do microplástico, que flutua no compartimento. Depois da separação, a areia volta para a praia e o plástico é coletado para a reciclagem. 

Seja com alta tecnologia envolvida ou apenas partindo da vontade de ajudar o planeta, cada projeto consegue fazer a sua parte na limpeza dos oceanos. E nós também podemos ajudar, com um consumo consciente do plástico e a destinação correta dos resíduos podemos mudar a realidade da Terra. Lembre-se: a mudança de hábito começa por você! O que você faz por um mundo mais limpo?

Artigo Original

Amor a Bordo – Barco Sorriso

Nesse mês de novembro, a Onda Eco participou da data mais comercial do ano de uma forma diferente e sustentável. No lugar da Black Friday, convidamos as pessoas para participar da Blue Friday: um movimento que repensa as compras desenfreadas e incentiva um consumo mais consciente. 

A mecânica era a seguinte: na compra de 1 litro de produto, a Onda Eco se comprometeu em doar 1 litro para o projeto “Amor a Bordo” do Barco Sorriso. Essa iniciativa reúne voluntários solidários que levam atendimentos odontológicos gratuitos e educação em saúde para comunidades litorâneas e isoladas, como Barbados, Bertioga, Sebui, Canudal e Vila Mariana. Além disso, o projeto também entrega cestas básicas e kits de higiene, auxiliando na qualidade de vida e no bem-estar dessas comunidades que, nesse momento, passam por muita dificuldade por conta do COVID-19. 

O resultado da campanha da Onda Eco foi incrível: no total foram enviados 180 litros de produtos de limpeza para as comunidades. Essa conquista representa muito mais do que uma campanha de Black Friday. Ela é um convite para construir um consumo mais consciente, mais sincero e que pode ser transformado em atitudes boas para a sociedade. Entre nessa onda você também. Juntos podemos fazer eco. 

Conheceça o Barco Sorriso

Atitudes para reduzir a produção de CO2 na sua empresa

Bióloga fala como empresas podem criar iniciativas para a redução de carbono na atmosfera

A cúpula da ONU – Organização das Nações Unidas – está em Nova York com os principais países do mundo discutindo medidas que possam ajudar a combater o aquecimento global.

Para se ter uma ideia, se a terra aquecer mais alguns graus, o planeta e a sociedade sofrerão danos irreversíveis. Segundo relatório divulgado este ano pelo BLab UK, as empresas estão cada vez mais preocupadas com o clima do planeta, por isso, muitas delas têm declarado “Emergência Climática”, e assim, tomado atitudes para tentar reverter esse quadro.

Sustentabilidade também é com o RH

Atualmente não existe uma definição formal acordada sobre o tema, mas segundo o mesmo relatório, Emergência Climática é o reconhecimento de que mudanças fundamentais precisam ser tomadas em relação ao aquecimento global. E isso passa por mudanças de atitudes dos indivíduos e das empresas.

Um exemplo brasileiro de empresa que se preocupa com tal demanda é a Beegreen Sustentabilidade Urbana, que não só desenvolve produtos sustentáveis, como ações que visam diminuir os impactos da sua produção na natureza. “Se não entendermos a gravidade do problema, essa mudança pode causar danos irreversíveis em pouquíssimo tempo. Estamos falando do risco de extinção de várias espécies, incluindo a nossa”, avalia a sócia-proprietária da empresa e bióloga, Jéssica Pertile.

De acordo com a bióloga, a emissão de carbono é hoje uma das principais causas do aquecimento do planeta. Quando esse gás chega à atmosfera, sua espessa camada impede a saída da radiação solar, formando assim uma bolha de calor. Entre as fontes mais significativas de emissão de CO2 estão as indústrias e os resíduos. Mas existem algumas atitudes que podem ser tomadas para diminuição da emissão do gás, para facilitar essa difícil tarefa e ajudar o planeta, elencamos abaixo quatro delas, que podemos tomar agora:

Faça compostagem

Se sua empresa tem cozinha/praça de alimentação, separar os resíduos pode fazer toda a diferença. Crie estações de coleta com lixeira para recicláveis, rejeitos e para o resíduo orgânico. O reciclável você pode encaminhar para a coleta da prefeitura ou para uma associação de catadores. Já o orgânico, deve ser encaminhado para a compostagem. Nesse caso, você pode ter na empresa sua própria composteira ou pode procurar uma empresa que faça o serviço.

Ao compostar os alimentos orgânicos, ao invés de emitir carbono e metano, que seria o caso enviando os orgânicos para aterro, você fixa o carbono no solo, ajudando muito para alcançar a neutralização desse elemento.

Incentive meios alternativos de locomoção

Uma outra alternativa, para diminuir a emissão de CO2, é incentivar seus colaboradores a procurarem meios menos poluentes de locomoção. Sugira caronas coletivas, afinal um carro na rua é melhor do que cinco carros indo para o mesmo lugar. Incentive o uso de bicicletas, instale bicicletários e deixe um espaço reservado para o conforto de quem opta por este modal.

Adote uma área de floresta/Plante árvores

Tem um espaço legal na sua empresa? Que tal plantar árvores? Elas são filtros naturais de CO2 e ajudam no controle da emissão desse gás na atmosfera.

Se você não puder fazer isso, adote florestas! Isso mesmo, sua empresa pode fazer parte de projetos que incentivam o plantio e manutenção de florestas, que são fundamentais para nossa sobrevivência. A organização Iniciativa Verde é uma delas. Lá você pode participar do programa “Amigo da Floresta”, que faz o plantio de árvores em áreas desmatadas do Sistema da Cantareira, um dos principais mananciais do Brasil.

Conheça o programa “Carbon Free”

Esse programa também foi desenvolvido pela Iniciativa Verde, com o objetivo de compensar a emissão de gases de efeito estufa (GEE), decorrentes de qualquer atividade humana: produções, serviços, construções ou eventos. Esse tipo de projeto também é conhecido como Compensação de carbono e/ou Neutralização de carbono.

No Programa Carbon Free, as emissões de GEE são compensadas por meio da recomposição da Mata Atlântica, ou seja, a Iniciativa Verde faz o plantio de árvores nativas de um dos biomas mais ricos em biodiversidade do mundo em áreas de preservação. Quem participa do programa recebe o selo Carbon Free e um certificado, com o número de árvores plantadas e a quantidade de gases de efeito estufa compensada.

E apesar de existir um movimento que tenta negar tais mudanças, elas são reais e agravadas pela ação humana. Por isso, a bióloga lembra que é importante uma ação conjunta da população para evitar que isso aconteça.

Um bom exemplo dessa união foi a proibição do uso do composto químico clorofluorocarboneto (CFC). A medida foi aderida por todos os países, o que ajudou na diminuição do buraco na camada de ozônio. “Repensar as políticas das nossas empresas e tomar algumas dessas atitudes, não só ajudam o planeta como acabam incentivando as pessoas ao nosso redor. São sugestões simples, mas que se aplicadas por todos, podem, sim, fazer a diferença. É importante criar essa consciência de que se todos fizerem sua parte, mesmo que pequena, o pior poderá ser evitado”, finaliza.

Ciência para o desenvolvimento sustentável dos oceanos

A Organizações das Nações Unidas (ONU) estabeleceu, para os anos de 2021 a 2030, a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável. O propósito é incentivar pesquisadores, governos e sociedade civil a desenvolver ações que ajudem a cumprir o objetivo número 14: “Vida na água”, da lista dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), cujo tema é a “conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável”. A ideia é utilizar a ciência e tecnologia para alcançar sustentabilidade da vida marinha, uma mobilização que se mostra urgente devido a uma série de fatores, entre eles a poluição nos oceanos e áreas costeiras.

De acordo com a bióloga Leticia Cotrim da Cunha, professora da Faculdade de Oceanografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a biodiversidade do planeta está ameaçada tanto pela ação indireta das mudanças climáticas quanto pela ação direta do homens. Ela destaca que a poluição nos oceanos ocorre devido a substâncias químicas e materiais (contaminantes, plásticos, sedimentos), organismos patogênicos e invasores, aumento da temperatura (mudanças climáticas) e até o som (embarcações de recreação e mercantes), que alteram o comportamento de mamíferos marinhos na água.

Raquel Peixoto, professora do Instituto de Microbiologia da UERJ, salienta que são diversos agentes locais e globais que contribuem de forma isolada ou combinada para a degradação da vida marinha, como o aquecimento global, despejo de esgoto sem tratamento, lixiviação de químicos de áreas agrícolas e outras atividades. “Os diferentes ecossistemas marinhos estão conectados pela troca constante de nutrientes e de organismos que, muitas vezes, habitam diferentes ambientes dependendo da sua fase de vida, como na época da reprodução. Se um desses ecossistemas se modifica, todo o ciclo biológico desse organismo é afetado e ele pode ser fortemente impactado ou até mesmo extinto”, alerta. “Alguns pesquisadores já demonstraram que recifes de corais podem influenciar o regime de chuvas de uma determinada região e que, quando estressados, podem atrair mais nuvens e chuvas para si mesmos, o que poderia, talvez, afetar negativamente o regime de chuvas em áreas agrícolas”, exemplifica.

As regiões costeiras são as que mais sofrem com a poluição devido à proximidade das fontes poluidoras. “Cerca de 60-65% da população do planeta vive na faixa de 100 km a partir da linha de costa e perto de 2/3 das megacidades do planeta (cidades com mais de 3 milhões de habitantes) estão localizadas em zonas costeiras ou estuarinas”, destaca Cunha. “Sem contar que a poluição de estuários e baías também afeta a pesca e o turismo/recreação, fontes importantes de renda para muitos países que movimentam diversos setores da economia”, completa.

Há ainda o problema da acidificação dos oceanos provocada pelo excesso de gás dióxido de carbono (CO2) emitido pela atividade humana. “É resultado da queima de combustíveis fósseis, atividades agropecuárias e produção de cimento. Os oceanos assimilam cerca de 25-30% das emissões humanas de CO2 e a ‘entrada’ desse gás na superfície dos oceanos altera parte do equilíbrio químico da água do mar”, explica Cunha.

É PRECISO FAZER MAIS

Para Peixoto, apesar de existirem ações locais e globais de preservação dos oceanos, como criação de áreas de preservação e proteção, controle de pesca de alguns animais ameaçados, tentativas de se investir mais em energias alternativas e minimizar as emissões de CO2, é preciso fazer muito mais. “Os primeiros efeitos reais do aquecimento global são a perda maciça de grandes áreas de recifes de corais (cerca de 30-50% dos corais do mundo) nos últimos anos. Algumas estimativas apontam que eles possam ser até mesmo completamente extintos nas próximas décadas. Entretanto, inúmeros outros organismos marinhos estão altamente ameaçados e sofrendo grandes impactos causados pelas mudanças climáticas, não apenas devido ao aquecimento dos oceanos, mas também à consequente acidificação dos mesmos”.

A bióloga da UERJ atua em projetos voltados para a compreensão da acidificação dos oceanos e outras alterações dos ciclos biogeoquímicos marinhos. “Em 2012, ajudei a criar a Rede Brasileira de Pesquisa em Acidificação dos Oceanos, BrOA (www.broa.furg.br), juntamente com o professor Rodrigo Kerr, da Universidade Federal do Rio Grande (Furg). A rede hoje funciona como um grupo de pesquisa, registrado no diretório nacional do CNPq, e conta com pesquisadores de mais de 10 instituições brasileiras. São grupos que se ocupam de observações dos oceanos, mas também de trabalhos sobre os impactos da acidificação na biodiversidade e no desenvolvimento de organismos-chave, como os corais”, conta. Já Peixoto trabalha no Centro de Pesquisas AquaRio, que conseguiu diminuir, de forma significativa, o branqueamento do coral da espécie Pocillopora damicornis, por meio da aplicação de um probiótico composto especificamente por bactérias isoladas do próprio coral e, portanto, nativas. “O branqueamento é causado pelo aumento de temperatura e/ou inoculação de patógenos”, explica.

A partir da repercussão positiva desses resultados e apresentação em conferências internacionais foi criada a rede internacional BMMO (em português: Microorganismos Benéficos de Organismos Marinhos), da qual Peixoto é coordenadora. “Reunimos alguns dos maiores especialistas em organismos marinhos e suas microbiotas de onze países (Brasil, Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Israel, Arábia Saudita, Austrália, Holanda, Inglaterra, Colômbia e Curaçao). Através da rede, que já organizou duas reuniões científicas e obteve financiamento, temos colaborado e planejado experimentos em diferentes desses países, na tentativa de não apenas melhorar o uso de probióticos de corais e sua segurança, mas também formas de escalonar esse uso e poder aplicá-lo em campo”, esclarece Cunha.

Com essa ideia, o grupo de pesquisa foi um dos cinco finalistas no desafio mundial lançado pela Fundação Grande Barreira de Corais, da Austrália, na busca por soluções que possam salvar a Grande Barreira de Corais, eleita patrimônio mundial pela Unesco e uma das principais atrações turísticas daquele país. “O Brasil, nesse caso, ficou em posição de destaque, já que nossa proposta foi a única liderada por um grupo de fora da Austrália a ser selecionada como finalista, o que nos dá orgulho e muita vontade de continuar investindo nessa pesquisa”, comemora a pesquisadora.

COOPERAÇÃO BRASIL-NORUEGA

Uma rede multidisciplinar de cooperação entre Brasil e Noruega trabalha na proteção da biodiversidade marinha. “O objetivo principal é aumentar o conhecimento sobre os ambientes de oceano profundo e estimular parceiras para novos projetos de desenvolvimento e inovação. E, finalmente, criar políticas de monitoramento ambiental e conservação marinha aplicáveis ao Brasil e Noruega”, detalha Claudia Erber, bióloga marinha, que chefia um centro ambiental na costa da Noruega. Erber trabalhou, no projeto piloto, a bordo de um navio submarino (DeepOcean/Shell), analisando imagens da fauna marinha. “As empresas do setor de energia utilizam comumente tecnologias submarinas para inspecionar e fazer manutenção das estruturas marinhas. São tecnologias de ponta que agregam valor em suas operações e os cientistas aumentam o conhecimento sobre o oceano profundo de maneira prática e ‘barata’ “, explica a pesquisadora. Essa colaboração bilateral será de grande valia para ambos os países em termos de novos negócios e melhores estratégias para a conservação marinha. Segundo Erber, a Noruega possui capital de investimento e background em tecnologia submarina e o Brasil possui os recursos naturais e uma cadeia de suporte de indústria de energia de alta competência. “Os novos campos de exploração de petróleo no pré-sal em poços ultra profundos (mais que dois mil metros), no Brasil, são uma oportunidade para o desenvolvimento de novas tecnologias submarinas para acessar o oceano profundo e prover informações importantes para a criação de banco de dados sobre a fauna desse ecossistema, ainda muito desconhecida”, finaliza.

Autor

Patricia Piacentini

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